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Política

Provocado na Câmara do Rio, Carlos Bolsonaro silencia sobre investigação

Ruben Berta

Do UOL, no Rio

02/09/2021 14h02

A determinação judicial para quebra dos sigilos bancário e fiscal de Carlos Bolsonaro (Republicanos) em investigação sobre supostas rachadinha e nomeações de "funcionários fantasmas" em seu gabinete na Câmara do Rio não mexeu com a postura do vereador nas sessões virtuais da Casa.

No fim da tarde de ontem, Chico Alencar (PSOL) provocou o colega a se manifestar sobre a decisão da Justiça do Rio, mas Carlos manteve o silêncio. Com raras exceções, é assim que ele costuma comparecer a sessões de votação: quieto e com a câmera fechada.

"Eu sinceramente esperava que o colega Carlos Bolsonaro viesse à tribuna, virtual como está sendo, para informar, repudiar, esclarecer o que foi noticiado a respeito da quebra de seus sigilos bancário e fiscal. Não estou fazendo nenhuma antecipação de mérito, mas tudo que diz respeito à nossa atividade pública precisa ser esclarecido. Não pode virar um assunto tabu", afirmou o vereador do PSOL.

À imprensa, Carlos Bolsonaro divulgou ontem uma nota afirmando que, "na falta de fatos novos, requentam os velhos que obviamente não chegaram a lugar nenhum e trocam a embalagem para empurrar adiante a narrativa".

Silêncio e descrença sobre reação na Câmara

O silêncio do filho 02 do presidente na Câmara reflete a postura da maioria dos vereadores a respeito das suspeitas que recaem contra ele. No WhatsApp, tanto no grupo geral da Casa quanto num específico para os membros do Conselho de Ética, nenhuma palavra sobre o assunto.

Chico Alencar, que integra o Conselho de Ética, não vê com bons olhos o silêncio da maioria dos colegas sobre as suspeitas que envolvem Carlos. Para ele, é a imagem da Câmara que está em jogo.

Há um silêncio que me parece um pouco cúmplice e a Câmara, o conjunto de vereadores, não se manifesta. A minha provocação na sessão não foi endossada por ninguém. É muito esquisito para mim. É uma instituição que não zela por si própria."
Chico Alencar, vereador (PSOL)

Apesar de classificar as suspeitas como graves, mesmo o líder do PSOL e um dos principais opositores de Carlos na Câmara, Tarcísio Motta, diz acreditar que não há possibilidade da abertura de processo de punição contra o filho do presidente da República sem que haja decisão de mérito na Justiça.

"Quando as denúncias surgiram pela primeira vez na imprensa, chegamos a entrar com uma representação pedindo a abertura de um procedimento na Casa, mas não houve nem dez assinaturas favoráveis."

O caminho de qualquer processo de punição na Câmara passa inicialmente por um requerimento com 21 assinaturas. Depois, vai para a Comissão de Justiça e Redação, que tem três membros.

Deles, pelo menos dois têm claro alinhamento com a família Bolsonaro: Alexandre Isquierdo (DEM), apadrinhado do pastor Silas Malafaia, e Inaldo Silva (Republicanos), ligado ao ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella.

O próprio Conselho de Ética, que analisa os processos caso eles passem inicialmente pela comissão, é presidido por Isquierdo. Há sete membros no total.

Luiz Ramos Filho (PMN), um dos integrantes do conselho, também não vê chance agora de abertura de um processo. Para ele, a essa altura da investigação, um processo seria prematuro.

A representação seria embasada em qual acusação? De que teve o sigilo quebrado? Por enquanto só se tem a quebra de sigilo, e não há elementos que configurem quebra de decoro."
Luiz Ramos Filho, vereador do PMN

MP também investiga ex de Bolsonaro

A quebra dos sigilos fiscal e bancário de Carlos Bolsonaro foi autorizada pela 1ª Vara Especializada de Combate ao Crime Organizado do Tribunal de Justiça do Rio no dia 24 de maio.

A decisão atinge, além do vereador, outras 26 pessoas e sete empresas. Ana Cristina Siqueira Valle, segunda esposa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), está entre as que tiveram a quebra de sigilo autorizada.

O Ministério Público do Rio investiga, desde julho de 2019, Carlos Bolsonaro por suspeitas de ter montado em seu gabinete um esquema de rachadinhas, em que assessores teriam devolvido parte de seus salários. As investigações também apontam para a suspeita de nomeação de funcionários que teriam recebido salário sem trabalhar.

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