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Vaquinhas e carona marcam mobilização bolsonarista em 13 estados para 7/9

15.mai.2021 - Homem defende voto impresso em ato a favor de Bolsonaro na avenida Paulista - BRUNO ROCHA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
15.mai.2021 - Homem defende voto impresso em ato a favor de Bolsonaro na avenida Paulista Imagem: BRUNO ROCHA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

03/09/2021 04h00

Apoiadores de Jair Bolsonaro organizam ônibus fretados e caronas solidárias para Brasília e São Paulo, onde estão previstos os principais atos em apoio ao presidente no 7 de Setembro.

A reportagem identificou caravanas de ao menos 13 estados nas modalidades "bate e volta" ou com estadia em hotéis e em um acampamento em Brasília. Entre elas, os custos para o fretamento são compartilhados entre os interessados. A mobilização também envolve pedidos de doações via PIX e vaquinha virtual feita por indígenas.

Os atos defendem bandeiras antidemocráticas apoiadas pelo presidente, como ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal), e o voto impresso —já descartado pela Câmara dos Deputados— usado por Bolsonaro em meio a ameaças golpistas contra as eleições de 2022.

A mobilização para os atos na capital federal e na avenida Paulista se dá em grupos do Telegram e também WhatsApp.

Ônibus fretados estão previstos para chegar durante todo o fim de semana a Brasília, onde um acampamento estará disponível no Parque Leão, no Recanto das Emas, em Brasília. Procurada, a administração local não retornou aos contatos da reportagem.

Financiamento próprio e risco de esvaziamento

Sem se identificar, a reportagem entrou em contato com organizadores de algumas caravanas. Para baratear a viagem, a maioria prevê uma viagem estilo "bate e volta", em que os ônibus chegam às cidades somente para os atos e pegam a estrada para voltar logo após o fim.

O pagamento é feito por PIX ou transferência bancária, numa espécie de "vaquinha" para custear o aluguel dos veículos.

Os organizadores não divulgam o número de pessoas confirmadas, mas ao menos duas caravanas encontravam dificuldades no dia 1º para fechar a lotação. "Eu vou pagar do meu bolso as seis vagas restantes e correr atrás de quem queira ir", contou um deles, que sairá do Rio para Brasília.

Outro montou um grupo no WhatsApp para reunir interessados na viagem e conseguir ao menos 60 pagantes. Até o dia 1º, havia conseguido apenas 15 e temia não realizar sua caravana com destino à capital paulista, onde o ato está previsto para ocorrer na Paulista entre 11h e 18h.

Caravanas saem de todas as regiões

O UOL identificou caravanas saindo de todas as regiões do país para Brasília e São Paulo.

Para Brasília, saem caravanas de ao menos oito estados, além de São Paulo: Bahia, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro e Tocantins.

A viagem de Curitiba para a capital federal custa R$ 750 em um ônibus fretado, com opção de parcelamento. O valor cobre a ida e a volta da viagem, que será um "bate e volta".

De Araguaína (TO), um ônibus sairá com destino a Brasília. O valor para ida e volta é de R$ 75 e aqueles que "se alistarem", como diz a divulgação, ganham uma camiseta e uma máscara como brinde.

No dia 5 de setembro, um ônibus deve partir de Guarulhos, na Grande São Paulo, também em direção ao DF. No valor de R$ 250, os apoiadores pagam a passagem de ida e volta, com hotel e café da manhã inclusos no pacote.

Para São Paulo, há previsão de ônibus partirem do interior e também dos estados de Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Sergipe, Santa Catarina e Goiás. Quem sai de Goiânia em direção a Brasília paga R$ 40. Para São Paulo, o valor é R$ 300.

Vaquinha e carona solidária

No Maranhão, indígenas do município de Amarante se articulam para conseguir um ônibus que chegue a Brasília no 7 de Setembro. Em um grupo do Facebook, dois líderes da terra Arariboia divulgam uma "vaquinha" virtual para conseguir fretar um veículo, com apoio de um morador de Goiânia.

Em grupos no Telegram, organizadores divulgam informações para quem quiser ser "carona solidária". Uma dessas mensagens é direcionada a caminhoneiros.

"Você poderá ser carona solidária para Brasília ou São Paulo chegando lá dia 7 de setembro? Deixe seu contato", diz o texto. Há remetentes com código de área de cidades do Norte, Nordeste e Sul. A convocação é republicada várias vezes ao dia, mas publicamente não agrega muitas respostas.

Também há pedidos de doações via PIX para serem enviados a quem não tem condição de custear a própria viagem a Brasília ou São Paulo. Mas neles não constam qualquer garantia de quem receberá o dinheiro ou se haverá prestações de conta.

Grupos de Telegram, Facebook e WhatsApp divulgam durante todo o dia vídeos, imagens e ilustrações de apoio a Bolsonaro e contra os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Postagens críticas à imprensa e à esquerda também são publicadas, e há vídeos e textos com fake news sobre os efeitos das vacinas de covid-19 na população.

Bolsonaro vê dia 7 como "oportunidade"

Bolsonaro usou um evento de inauguração de estação de tratamento de água em Uberlândia (MG) na última terça-feira (31) para reiterar a promoção de manifestações no dia 7 setembro, dizendo que "nunca uma outra oportunidade será tão importante".

Porém, voltou a usar frases dúbias sobre o que espera dos protestos e não explicou o que enxerga como oportunidade.

"A vida se faz de desafios, sem desafios a vida não tem graça. As oportunidades aparecem, nunca uma outra oportunidade para o povo brasileiro será tão importante quanto este próximo 7 de setembro", disse.

Dessa vez, no entanto, não citou os motivos pelos quais incentivou o ato, como a adoção do voto impresso, ou ataques aos ministros do STF.

O presidente ainda disse que "muitos querem" que ele "tome certas medidas", mas não explicou quais medidas seriam essas.

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