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Wagner Rosário passa de testemunha para investigado na CPI da Covid

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/09/2021 16h46

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB), informou ao final da sessão de hoje, que o depoente do dia, ministro da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, agora deixa de ser testemunha e passa a investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito.

A inclusão do nome do ministro foi feita após o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD), sugerir ao relator que o nome de Rosário fosse incluído na lista de investigados

"Eu peço ao senador Renan Calheiros, que o senhor Wagner Rosário, a partir desse momento, de testemunha passe a ser investigado pela CPI. E que conste no relatório aquilo que nós já temos nosssas conclusões. O que a senadora Simone fez, o que temos de datas. As datas são importantes. Em algumas coisas teve rápidas informações, em outras, quando não era do interesse, a CGU não teve essas informações", disse Aziz.

Renan Calheiros acatou o pedido de Aziz e anunciou o ministro na lista de investigados. "Eu quero comunicar a todos que, na medida da orientação que recebo, eu elevo a condição do senhor Wagner Rosário para investigado dessa Comissão Parlamentar de Inquérito", disse ele.

O anúncio aconteceu após a sessão ser suspensa depois de o ministro Wagner Rosário chamar a senadora Simone Tebet de "descontrolada" e gerar um bate-boca entra os senadores, que chamaram Rosário de "machista" e "moleque".

Bate-boca durante sessão

O depoimento do ministro da CGU foi marcado por muita irritação e alguns bate-boca entre o depoente e senadores da CPI. Em diversos momentos, senadores de oposição e independentes entraram em conflito com o ministro. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) chegou a dizer "baixe o tom" e a ficar com o dedo em riste ao se direcionar a Wagner Rosário.

Durante todo o dia, o ministro e o relator da CPI, Renan Calheiros, divergiram e discutiram sobre diversos assuntos. Em um dos momentos mais tensos, o ministro chegou a dizer que Renan estava "repetindo uma coisa que não tem ligação nenhuma com a verdade" quando o relator acusou Wagner Rosário de "tornar regular" o contrato do governo com a Precisa.

"Eu acho que é a décima vez que o senhor repete que eu disse que o documento era regular e o senhor não traz nenhum documento com a minha fala sobre isso. Eu não falei isso", disse o ministro. "O senhor tem a obrigação de falar a verdade aqui".

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.