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Canal de Bolsonaro no Telegram não tem só apoiador; veja o que acontece lá

Lucas Valença

Do UOL, em Brasília

13/10/2021 04h00Atualizada em 13/10/2021 12h45

No sábado (9), o canal do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Telegram atingiu 1 milhão de seguidores.

A marca foi impulsionada pela queda do WhatsApp, ocorrida no último dia 4 e que fez o presidente ganhar mais de 20 mil seguidores em um único dia; e pelo empenho do Palácio do Planalto em migrar as redes bolsonaristas para a plataforma.

Com essa marca, Bolsonaro se tornou o líder em inscritos no aplicativo. Segundo dados internos da ferramenta, o presidente possui uma média de oito publicações por dia. Até o fechamento da reportagem, o presidente contava com 1.039.089 inscritos.

O que acontece no grupo de Bolsonaro?

O presidente Jair Bolsonaro tem utilizado a ferramenta para divulgar vídeos e publicações dos atos e projetos do governo federal. Embora seja um canal privado, ele tem sido tratado como "institucional".

Lá, o presidente compartilha pronunciamentos, fotos e conteúdos que são produzidos e divulgados pelos respectivos órgãos de comunicação de diversos ministérios e entidades da União.

Pelo canal, é possível ver e fazer comentários nas postagens. A cada post dentro do Telegram, os seguidores enviam mensagens de apoio a Bolsonaro e suas políticas. Mas a cada comentário negativo contra o presidente, uma legião de fãs sai em defesa do mandatário.

Em uma das postagens divulgadas na ferramenta sobre o número de empresas abertas no segundo quadrimestre de 2021, uma seguidora elogiou o mandatário. "Parabéns meu presidente! Estamos aqui! Longe do Instagram e do Twitter", afirmou.

Outra seguidora aproveitou o espaço para criticar a oposição e disse que o "Brasil cresce mesmo com os golpistas boicotando todo o tempo".

Um apoiador do presidente denominado Adiel, porém, usou as redes para cobrar que o presidente se esforce, "mais do que nunca", na indicação de André Mendonça para o STF. A sabatina do ex-ministro ainda não foi marcada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

Grupo não tem apenas apoiadores

No canal do presidente, porém, não é todo mundo que apoia o governo. E, quando alguém critica, um debate em torno das opiniões logo começa, inclusive, descambando até para palavras de baixo calão.

bolsonaro - Divulgação/Telegram - Divulgação/Telegram
Bolsonaro posta informações institucionais em seu Telegram
Imagem: Divulgação/Telegram

Em um vídeo sobre ações desenvolvidas pelo MDR (Ministério do Desenvolvimento Regional), que obteve 1.768 comentários, uma seguidora aproveitou a ferramenta para criticar os seguidores do presidente.

"É muita gente que gosta de ser enganada. Fora Bozo e leva sua turma junto", declarou a seguidora insatisfeita com o governo. Não houve comentários em resposta a ela.

Em uma resposta a um apoiador do presidente, o internauta chamado Rogério usou uma matéria para retrucar uma informação falsa postada por um apoiador do presidente.

"Renan [Calheiros] avalia propor pena de dois anos de prisão a divulgadores de fake news", escreveu, ao anexar a reportagem.

O mesmo perfil também retrucou um apoiador e criticou os problemas econômicos vividos pelo governo. "Psiquiatra é para quem puxa saco de político que o faz pagar R$ 120,00 no gás de cozinha e R$ 7,00 na gasolina", afirmou.

No grupo também há quem apoiava o governo, mas se arrependeu. Uma seguidora chamada Efra demonstrou que havia apoiado Bolsonaro, mas que se decepcionou com a condução da presidência da República.

"Bolsonaro teve méritos em chegar à presidência, feito bem difícil, mas falhou miseravelmente ao tomar decisões erradas em todos os sentidos. Vai perder essa eleição para ele mesmo", disse.

Canal é plataforma de campanha

Desde o começo do ano, a família Bolsonaro tem investido na plataforma, que permite criar grupos de conversa e uso de mensagens programadas via robôs (bots). O Telegram possui funcionalidades exclusivas, como enquetes, e também é possível impulsionar o compartilhamento de informações.

Sob a coordenação do filho "02" do presidente, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos), que tem atuado nos bastidores da comunicação do governo federal, o Planalto decidiu antecipar a campanha eleitoral e investir na rede social, segundo fontes do próprio governo.

A estratégia de Carlos Bolsonaro seria de tentar retomar o modelo de disparo de conteúdo nas redes sociais, como foi feito nas eleições de 2018. Desta vez, os disparos seriam feitos fora do país, como antecipou o UOL.

De acordo com fontes do governo e fontes ligadas à inteligência, a internacionalização dos disparos seria uma forma de "driblar" a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que têm atuado para combater a disseminação de notícias falsas. No caso do Supremo, dois inquéritos de ofício foram abertos para investigar a proliferação de fake news.

O investimento na plataforma russa também tem sido feito por alguns dos principais ministérios, como o da Saúde, para ajudar a aumentar o número de seguidores para as redes do presidente e de aliados bolsonaristas.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, o Telegram não é um aplicativo russo. Embora fundado por russos, o app é registrado em Londres.

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