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Sem Covas, vereadores do PSDB da capital se dividem nos apoios das prévias

Evento do PSDB Municipal de São Paulo para filiar Tomás Covas, filho de Bruno, e declarar apoio a João Doria nas prévias, em agosto - Lucas Borges Teixeira/UOL
Evento do PSDB Municipal de São Paulo para filiar Tomás Covas, filho de Bruno, e declarar apoio a João Doria nas prévias, em agosto Imagem: Lucas Borges Teixeira/UOL

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

03/11/2021 04h00Atualizada em 04/11/2021 15h22

Os tucanos da Câmara Municipal de São Paulo não concordam na discussão sobre quem apoiar nas prévias do partido para escolher o candidato do PSDB à Presidência da República. Até semana passada, a maioria não havia declarado intenção de voto na disputa —que envolve principalmente os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS). Entre os vereadores que já fizeram a escolha, não existe unanimidade.

Embora o diretório municipal tenha declarado apoio a Doria em agosto, a bancada tucana na Casa não manteve a unidade. A indecisão desagrada os mais próximos do governador, mas o PSDB paulistano garante que consegue a maioria na bancada até a votação. A avaliação é que a postura seria diferente caso o ex-prefeito Bruno Covas (PSDB), que morreu em maio, estivesse na liderança da sigla.

A menos de um mês do pleito —o primeiro turno está marcado para 21 de novembro—, cada voto conta, mas uns contam mais que outros, seguindo o modelo definido para as prévias deste ano. Os votos de vereadores se igualam aos de deputados estaduais e distritais, que, juntos, compõem 25% de toda a votação.

Dois pra lá, dois pra cá

O PSDB tem a maior bancada da Câmara Municipal, junto ao PT, com oito vereadores de cada partido. Conforme o UOL apurou, até a semana passada, dois deles declaram apoio a Doria, dois a Leite e quatro ainda não se decidiram (ou não quiseram comprar briga).

Ao lado de Doria estão Gilson Barreto e João Jorge. Vice-presidente municipal do partido, Barreto diz que deverá seguir "a linha de encaminhamento do diretório" sob o argumento de que o país precisa de um candidato "mais experiente e com mais pulso".

"Podem pegar bronca porque ele fechou o comércio, mas ele agiu quando teve de agir. É um homem de pulso", defende Barreto, vereador mais antigo do PSDB na Casa.

A equipe de João Jorge confirmou que ele apoia a candidatura de Doria, mas não quis confirmar o motivo.

Do lado de Leite, estão Daniel Annenberg e Xexéu Tripoli, líder do partido na Câmara. Tripoli foi o primeiro a declarar apoio ao governador gaúcho, em setembro. Segundo ele, o pré-candidato o visitou em seu gabinete.

"Eu vejo nele [Leite] um cara mais preparado para enfrentar a situação que o país tem hoje e tem por vir. Por suas características, é um cara com firmeza para fazer mudanças. E, segundo, que para mim é muito importante, é um cara de diálogo", argumentou o vereador.

Já Annenberg voltou à Câmara neste mês depois que o vereador titular Carlos Bezerra Júnior (PSDB) assumiu a Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), no último dia 15. Ele declarou voto há cerca de dez dias.

Metade dos vereadores, no entanto, preferiu não tomar lado ainda. À reportagem, os gabinetes dos vereadores Aurélio Nomura, Rute Costa e Sandra Santana disseram que eles ainda estão avaliando as candidaturas e preferem ainda não declarar apoio.

Já o vereador Fábio Riva, líder do governo na Câmara, não havia se pronunciado até sexta-feira passada (29). Após a publicação da reportagem, Riva, líder do governo na Casa, procurou o UOL para declarar voto em João Doria.

Com Covas, haveria união

Embora não tratem disso abertamente, o comentário entre os vereadores é que, se o ex-prefeito Bruno Covas ainda estivesse vivo, é provável que todos apoiassem a sua escolha, pelo menos publicamente.

Segundo Fernando Alfredo, presidente municipal do partido e amigo de infância de Covas, provavelmente o candidato seria Doria, com quem Covas chegou à Prefeitura como vice, em 2016.

"Ele sempre deixou muito claro que o candidato dele à Presidência era João Doria. Não havia a mínima dúvida disso. Pode haver divergência, mas o grupo do Bruno está com essa chapa", diz Alfredo, articulador na capital da campanha de Doria e do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) ao governo.

Covas assumiu a Prefeitura em 2018, quando Doria lançou-se ao governo do estado, e foi reeleito em 2020, com apoio em peso da bancada. Dada sua filiação desde a adolescência, tucanos paulistanos argumentam que ele tinha uma relação muito mais forte com o partido e traria essa união em prol de Doria.

Disputa acirrada

As prévias do PSDB serão disputadas em 21 de novembro. Além de Doria e Leite, concorre também o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio (PSDB-AM).

Dado o formato desproporcional da votação, baseado, entre outras coisas, no cargo ocupado, os candidatos têm disputado um a um o voto de cada parlamentar do país e o estado de São Paulo, reduto de Doria e com maior número de filiados do partido (20% de filiados), tornou-se foco central da disputa.

A ênfase em vereadores ocorre porque este grupo se iguala aos de deputados estaduais e distritais, que, juntos, compõe 25% de toda a votação.

Prévias PSDB - Arte/ UOL - Arte/ UOL
Imagem: Arte/ UOL

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