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André Marinho explica saída da Jovem Pan: "Cansei de servir de escada"

Do UOL, em São Paulo

16/11/2021 16h26Atualizada em 17/11/2021 18h03

O humorista e comunicador André Marinho esteve nos holofotes recentemente depois de se envolver em algumas polêmicas com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em 27 de outubro, Marinho confrontou o presidente e o questionou se "quem faz rachadinha deveria ir preso". Incomodado, Bolsonaro deixou a entrevista. O episódio culminou na saída do humorista da Jovem Pan, onde fazia parte do Pânico.

Em entrevista ao Jornalistas e Etc, comandado por Thaís Oyama, Marinho falou sobre a saída da emissora e, apesar de demonstrar gratidão ao Pânico e à Jovem Pan, revelou descontentamento com o papel que tinha no programa.

"Saí porque estava virando escada para bolsonaristas do baixo clero lacrarem e a tendência era piorar", ele disse. "Por ser o dissenso e pros meus companheiros de bancada e programa era interessante me antagonizar, tentar debochar, menosprezar, interromper em grande parte", acrescentou.

Marinho também afirmou que, em certos momentos, percebia que seu microfone estava mais baixo que o dos demais.

"Quem representar minimamente uma ameaça ao avanço da agenda deles, deve ser pulverizado, decapitado e eu fui vítima disso", afirmou. :Houve alguns momentos onde eu tava me envolvendo em discussões mais acaloradas, onde eu tava claramente falando na distancia correta do microfone, e meu microfone estava mais baixo".

Formado em direito e com passagem pelo curso de Ciência Política da Universidade de Nova York, André é filho do empresário Paulo Marinho, um dos coordenadores da campanha do então candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro. Paulo e Bolsonaro vem trocando farpas desde que houve um rompimento entre eles em 2019, após a demissão de Gustavo Bebianno, amigo pessoal de Paulo, da Secretaria-Geral da Presidência

André Marinho adotou um tom mais crítico ao presidente. Agora, segundo ele, é perseguido e entrou em uma lista negativa dos bolsonaristas mais fieis.

"A grande maioria são bolsonaristas. A grande erva daninha que serve intoxicando, encardindo o debate publico é exatamente esse apego do brasileiro médio com o salvacionismo, idolatria politica incondicional", explicou.

Questionado sobre como ele esperava que Bolsonaro fosse reagir ao questionamento sobre as rachadinhas, Marinho respondeu que esperava que o presidente reagisse daquela forma.

"Eu sabia que ele ia reagir de forma intempestiva, conheço ele, sujeito de pavio curto. Ao longo da presidência tem ficado em ambientes bem tranquilos, agradáveis."

Para 2022, Marinho acredita que Bolsonaro não vai conseguir evitar os embates da imprensa e de outros candidatos, como aconteceu em 2018, quando não compareceu a debates presidenciais.

"Em 18 tinham questões fisiológicas de ele estar se recuperando [da facada] no segundo turno. Até dava para entender ele se abster de participar de debates", disse. "Agora, o Lula em 2006 ele já tinha o mensalão, denúncias concretas de corrupção pairando sob o mandato. O Fernando Henrique Cardoso, quando ele queria passar o bastão pro José Serra em 2002, teve uma crise energética. O Bolsonaro tem todos esses fatores, não só isso, um legado desastroso de omissão, negligência, de desumanidade durante toda a gestão da pandemia".

Humor

Marinho ficou famoso ao destacar-se com paródias e imitações de lideranças políticas. Em setembro, viralizou ao imitar Jair Bolsonaro em um jantar onde Michel Temer compareceu, logo após o ex-presidente escrever a 'Declaração à Nação", logo após os atos antidemocráticos de 7 de setembro.

Sobre essa veia artística, André contou como desenvolve suas principais imitações:

"Eu lido a partir de cada caso concreto. Se você já tiver uma referência prévia, você pode se basear nisso", contou. "O mais gratificante é quando você tem aquele momento Eureka, aquele estalo imaginativo, e você logo começa a imitar de imediato. De bate pronto consegue detectar o trejeito mais projetado da pessoa. O outro é quando tem um processo, que você mergulha", concluiu.

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