PUBLICIDADE
Topo

Política

Conteúdo publicado há
6 meses

Lula achou que ficaria preso por uma semana, diz autor de biografia

Colaboração para o UOL

16/11/2021 11h54Atualizada em 16/11/2021 17h18

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) achou que ficaria detido apenas por cerca de uma semana, depois da condenação na Operação Lava Jato, em abril de 2018. A revelação foi feita pelo escritor Fernando Morais, ao UOL Entrevista, durante o lançamento, hoje, do livro "Lula, biografia". "Achou que, em uma semana, ou no máximo 10 dias, estaria na rua", disse Morais. No livro, Fernando Morais também revela que Lula dormiu bem na primeira noite preso.

O ex-presidente foi solto em novembro de 2019, após 580 dias de prisão na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba. A soltura ocorreu um dia depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) ter decidido que um condenado só pode ser preso após o trânsito em julgado. Em abril deste ano, a Corte anulou as condenações em Curitiba e manteve Lula elegível.

Para Morais, Lula vai entrar para história acima de Getúlio Vargas, presidente do Brasil entre 1930-1945 e 1951-1954. "A história verá que Lula foi o maior político brasileiro até hoje. Sou um defensor da obra do Getúlio Vargas, mas acho que Lula vai estar na história um degrau acima do que esteve Getúlio", disse o escritor.

Na obra, Morais também aborda o papel da imprensa na prisão do ex-presidente Lula, em abril de 2018. O escritor responsabiliza parte dos veículos de comunicação pelo ocorrido. "É inacreditável, é escandaloso o que foi feito com Lula, a favor de [Sergio] Moro. Sem a 'Vaza Jato', Lula estaria preso", afirmou.

O escritor se refere à série de reportagens lançada pelo site The Intercept Brasil, que revelou troca de mensagens suspeitas entre o então juiz Sergio Moro, o então procurador Deltan Dallagnol e outros integrantes da Lava Jato.

Durante a entrevista, sem detalhar quais teriam sido as revelações, Morais contou que o escritor Paulo Coelho rompeu o contato com ele por meses após ler o livro sobre Lula, em que ele também é citado. A amizade só foi retomada durante um encontro em Paris.

"Ele me disse: 'Vou te confessar que fiquei estarrecido de me ver em seu livro'. Por razões que qualquer estudante de psicanálise do primeiro ano sabe, o ser humano apaga partes do seu passado de que não se orgulha. Quebramos o gelo e voltamos a ser amigos", disse.

O lançamento do segundo volume do livro está programado para 2023. O UOL divulgou, com exclusividade, um trecho da biografia do ex-presidente Lula.

Política