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Com presidenciável próprio, PSD não vê problema em Meirelles ajudar Doria

Após Doria chamar Meirelles para equipe, o PSD e o secretário minimizaram problemas envolvendo presidenciáveis - 25.nov.2021 - Vinicius Nunes/Agência F8/Estadão Conteúdo
Após Doria chamar Meirelles para equipe, o PSD e o secretário minimizaram problemas envolvendo presidenciáveis Imagem: 25.nov.2021 - Vinicius Nunes/Agência F8/Estadão Conteúdo

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

07/12/2021 04h00

Um nome e dois presidenciáveis: esse deverá ser o dilema do secretário da Fazenda paulista, Henrique Meirelles (PSD). Mesmo com seu partido tendo um pré-candidato ao Planalto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, Meirelles foi anunciado como integrante da equipe econômica da campanha do governador de São Paulo, João Doria, presidenciável do PSDB.

Após ter vencido a disputa interna no PSDB para ser o pré-candidato a presidente pelo partido, o primeiro anúncio de impacto de Doria foi o sobre formação de um comitê econômico com seis pessoas. O único nome conhecido até agora é o de Meirelles, secretário do governo Doria.

Além de o PSD já ter presidenciável próprio, há um outro detalhe: o próprio secretário tentará ser senador por Goiás, campanha que será o foco dele no ano que vem.

Meirelles foi candidato à Presidência em 2018, ficando em sétimo lugar com apenas 1,2% dos votos. Antes, foi presidente do Banco Central no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministro da Fazenda na gestão Michel Temer (MDB).

Sem problemas

Consultado, o PSD disse que não vê problemas na participação de Meirelles na campanha de Doria. Lideranças do partido do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab disseram ter visto com naturalidade que alguém que foi secretário da Fazenda durante todo o mandato de Doria esteja contribuindo na área econômica da campanha do tucano.

Meirelles também afastou a possibilidade de problemas em razão das pré-candidaturas de PSD e PSDB. "São questões diferentes no nível nacional e no local", escreveu ao UOL.

"Sou filiado ao PSD e minha intenção é ser candidato ao Senado por Goiás. Recebi este convite do governador João Doria para colaborar, pelo meu histórico profissional e por eu estar no governo de São Paulo, onde temos conseguido ótimos resultados na economia."

Segundo o secretário —que já foi presidente do Banco Central e ministro da Fazenda—, a colaboração para a campanha de Doria é apenas para ideias.

"Como o governador disse, vou participar de uma comissão de seis integrantes encarregados de elaborar uma proposta de plano econômico. Outras pessoas participarão com ideias, não se trata ainda de uma atividade partidária", disse. "A campanha ainda está longe e as candidaturas só serão oficializadas no ano que vem."

Doria ou Pacheco?

Questionado se, no ano que vem, apoiaria Doria ou a candidatura do PSD para presidente, Meirelles disse que não decide "por hipóteses". "A convite do governador João Doria vamos sugerir ideias para uma proposta de plano econômico. Isso é o que existe hoje."

O secretário também negou que a participação na campanha do tucano possa ter como consequência uma eventual mudança de partido. "De forma alguma. Minha candidatura ao Senado por Goiás não é relacionada ao plano nacional."

Perguntado sobre o dilema de Meirelles pelo jornal "O Estado de S. Paulo", Doria também evitou se aprofundar na questão. "Neste momento vamos trabalhar com a informação que é sólida. Ele foi convidado e aceitou ser o porta-voz do comitê econômico da nossa candidatura."

O UOL apurou, porém, que Meirelles deverá ser apenas integrante, sem protagonismo no grupo, que terá seus outros participantes anunciados até o final desta semana. O secretário tem ido constantemente a Goiás e deverá priorizar sua pré-candidatura ao Senado.

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