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Política

Doria diz que encontrará Moro e nega convite a Leite para coordenação

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

29/11/2021 13h37

Pré-candidato a presidente da República, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse hoje que terá um encontro com o ex-juiz Sergio Moro, presidenciável do Podemos, na semana que vem, após o tucano retornar de uma viagem aos Estados Unidos.

Doria também negou ter feito convite para que o governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB), seu principal oponente nas prévias tucanas, fosse coordenador de sua campanha. Ele ainda cutucou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), antigo aliado e hoje adversário, dizendo que não terá um "posto Ipiranga" para liderar a área econômica.

Hoje, após ter vencido a disputa interna no PSDB no sábado (27), Doria recebeu a imprensa no diretório paulista do partido, em São Paulo. O clima entre os tucanos era de comemoração, com cumprimentos e troca de abraços entre os presentes. Doria fez questão de cumprimentar todos os presentes.

"Hora de união"

Sobre Moro, Doria disse ser cedo para falar sobre alianças e composições, mas revelou que terá um encontro com o ex-juiz e ex-ministro de Bolsonaro. "Já marcamos um encontro com ele e com Renata Abreu", disse, em referência à deputada e presidente nacional do Podemos. "Agora é hora de união, do bom diálogo".

A assessoria de imprensa de Moro confirmou o encontro, mas disse que ainda não há data para ele ocorrer.

Segundo Doria, também haverá encontros com outros líderes partidários e pré-candidatos quando retornar ao Brasil. "Melhor projeto não é o de um partido, de um candidato. É o projeto de Brasil."

Coordenador em SP

O pré-candidato negou ter feito um convite para que Leite coordenasse sua campanha a presidente. Segundo Doria, o gaúcho não seria uma opção porque seu desejo é ter alguém que esteja em São Paulo. "Fisicamente, ele está no Rio Grande do Sul. Queremos um coordenador que fique próximo do candidato. Não que seja paulista, mas que esteja em São Paulo."

Apesar de não contar com Leite para a coordenação, Doria quer o gaúcho na campanha. Segundo o governador, Leite terá "papel de protagonismo na campanha do PSDB".

Sem "posto Ipiranga"

O anúncio que fez hoje foi de que terá seis pessoas em sua equipe econômica. "Esse grupo será anunciado até semana que vem", disse Doria, confirmando apenas um nome: o do secretário da Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles (PSD), que deverá disputar uma cadeira no Senado por Goiás na próxima eleição.

Do grupo, ele disse que a formação será com três homens e três mulheres. "Não teremos 'posto Ipiranga'. Todos os seis serão protagonistas", disse Doria, que indicou que seus economistas conversaram com candidatos de outros partidos para que, se possível, cheguem a "decisões comuns". "Posto Ipiranga" é a forma pela qual Bolsonaro chama o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Participaram do evento com a imprensa o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), que deve disputar a sucessão de Doria, o presidente estadual do partido, Marco Vinholi, secretário do governador, além de outras lideranças tucanas no estado. Garcia assume o governo paulista a partir de abril do ano que vem para que Doria possa disputar a eleição presidencial.

Campanha contra rejeição

O paulista minimiza a rejeição contra ele, dizendo que em 2018 já enfrentou esse problema. Contra ela, Doria quer apostar em agendas de campanha. E ele promete "rodar" o Brasil todos os finais de semana a partir de janeiro. "Vamos à campanha. Eu adoro campanha, amo fazer campanha", disse. "Enquanto muitos adversários dormem, eu trabalho."

Doria venceu a disputa interna com 53,99% dos votos, derrotando o governador gaúcho, que teve 44,66%. O ex-prefeito de Manaus Arhur Virgilio conseguiu 1,35%.

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