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Conteúdo publicado há
5 meses

Bolsonaro foi fazer campanha e não enviou ajuda, diz governador da Bahia

Colaboração para o UOL

13/12/2021 09h40Atualizada em 13/12/2021 15h07

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), definiu como um "ato político" a visita do presidente Jair Bolsonaro (PL) às áreas afetadas pela chuva no sul do estado. Em entrevista ao UOL News hoje, o petista também chamou de "ridícula" a liberação do FGTS (Fundo de Garantia e Tempo de Serviço) à população afetada pela enchente no estado.

"Foi um ato político de campanha, fazendo carreata na cidade de Itamaraju e agredindo jornalistas. Infelizmente, vivemos no Brasil várias tragédias seguidas. A maior tragédia é a gestão do presidente. Bolsonaro não tem nenhum sentimento de humanidade, de empatia", disse Costa.

Subiu para dez o número de mortos em decorrência das fortes chuvas no sul da Bahia desde a semana passada, segundo balanço da Defesa Civil estadual. O governo baiano informa que as enchentes, que começaram no meio da semana passada, já impactaram mais de 220 mil pessoas.

Rui Costa afirmou que a única ajuda que recebeu do governo federal foram dois helicópteros enviados pela Marinha para auxiliar na entrega de mantimentos e resgate de moradores.

Ontem, Bolsonaro tirou de foco os desastres provocados pelas fortes chuvas no sul da Bahia para voltar a atacar a atuação de governadores durante a pandemia do novo coronavírus. O presidente concedeu entrevista coletiva em Porto Seguro (BA).

"Também tivemos uma catástrofe no ano passado, quando muitos governadores, inclusive o da Bahia, fecharam o comércio e obrigou o povo a ficar em casa. O povo, em grande parte, informais condenados a morrerem de fome dentro de casa", afirmou o presidente.

A equipe da TV Bahia, afiliada da Rede Globo, relata ter sofrido agressões enquanto tentava realizar uma reportagem com o presidente Jair Bolsonaro, que visitava as áreas alagadas no extremo sul baiano.

Segundo informações da GloboNews, os seguranças de Bolsonaro agiram para impedir que jornalistas se aproximassem para entrevistar o presidente. Um dos agentes chegou a ser filmado ameaçando "enfiar a mão na cara" da equipe da imprensa quando um microfone esbarrou em suas costas, alegando que estariam "batendo" nele com o instrumento.

Liberação de FGTS

Durante a visita à Bahia, Bolsonaro anunciou a liberação de parcelas do FGTS aos municípios atingidos por enchentes no sul do estado e também norte de Minas. Rui Costa criticou a atitude. Bolsonaro afirmou que contatou o presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, para que, em no máximo cinco dias, libere a parcela de até R$ 6,2 mil do FGTS à população afetada pela enchente no estado.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, disse que cerca de 50 municípios já tiveram os decretos de calamidade pública reconhecidos pelo ministério e R$ 5,8 milhões já foram liberados a algumas prefeituras.

Se não fosse trágico, era piada. FGTS pertence ao cidadão. O que ele está liberando é dinheiro do cidadão. E R$ 5 milhões para todas as cidades? É ridículo em termos de anúncio de um presidente
Rui Costa (PT), governador da Bahia

Antes de falar com a imprensa, Bolsonaro chegou a sobrevoar algumas cidades do sul da Bahia e, ao aterrissar, o presidente acabou transformando sua visita à região em um ato com apoiadores.

O presidente anunciou uma atuação emergencial do governo federal na entrega de alimentos, água potável, cobertores e medicamentos à população e na recuperação de estradas e pontes dos municípios.

Rui Costa informou que vai formalizar pedido de ajuda ao governo Bolsonaro e também anunciou que vai disponibilizar uma linha de crédito especial para os comerciantes afetados pela chuva. "Mas não quero criar faltas expectativas ao povo da Bahia. Eles conhecem bem esse governo [Bolsonaro]."

Petista defende chapa Lula-Alckmin

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) é especulado como pré-candidato a vice em uma chapa encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governador da Bahia defende a aliança.

"Vejo com bons olhos. Não só com Alckmin, mas com outras pessoas que queiram reconstruir o Brasil. Temos que buscar grandes alianças ao centro", avaliou o petista.

Durante a entrevista, Rui Costa se esquivou quando questionado se cumpriria o mandato até o final ou sairia antes para disputar uma cadeira no Senado, como tem sido especulado. "Minhas duas prioridades no ano que vem do ponto de vista da política é garantir que esse projeto de reconstrução seja vitorioso. Eventual candidatura minha está subordinada a esse projeto", disse.

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