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Bolsonaro chama Orbán, líder húngaro da extrema direita, de 'irmão'

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

17/02/2022 09h56Atualizada em 17/02/2022 11h06

Em visita à Hungria, o presidente Jair Bolsonaro (PL) participou hoje de agenda ao lado do primeiro-ministro Viktor Orbán, a quem chamou de "irmão dadas as afinidades" entre os dois —ambos representam o segmento da extrema direita, com foco no eleitorado conservador.

"Essa nossa passagem por aqui é rápida. Mas deixará um grande legado para os nossos povos. Acredito na Hungria e no prezado Orbán, que eu trato praticamente como um irmão, dadas as afinidades que nós temos na defesa dos nossos povos e na integração dos mesmos", declarou Bolsonaro.

Orbán é tido na Europa como uma inspiração para movimentos de ultradireita. Desde que chegou ao poder, em 2010, o primeiro-ministro tem adotado medidas consideradas autoritárias e, assim como Bolsonaro, acumula atritos com os poderes Legislativo e Judiciário, com a imprensa e com o setor da educação.

Uma das decisões que provocaram polêmica no país foi a imposição de restrições ao trabalho de jornalistas húngaros interessados em fazer reportagens sobre covid-19 nos hospitais públicos. O privilégio seria concedido apenas a veículos estatais de comunicação. O caso foi parar na Justiça.

Posteriormente, Orbán flexibilizou as regras e passou a exigir autorização prévia para o trabalho da imprensa nos hospitais públicos, aval concedido pelo órgão nacional de gestão da pandemia.

Bolsonaro também disse hoje considerar a Hungria um "pequeno grande irmão". O país europeu tem cerca de 10 milhões de habitantes e uma extensão territorial de pouco mais de 93 mil quilômetros quadrados.

Em pronunciamento à imprensa ao lado do primeiro-ministro húngaro, Bolsonaro destacou que, em sua visão, os laços entre os dois países poderiam ser resumidos por meio de quatro palavras: Deus, pátria, família e liberdade.

"Comungamos também [ele e Orbán] na defesa da família, com muita ênfase. A família bem estruturada faz com que sua respectiva sociedade seja sadia. Não podemos perder esse foco."

Isolado no cenário internacional desde que Donald Trump foi derrotado por Joe Biden nos Estados Unidos, Bolsonaro tem buscado reforçar vínculos diplomáticos com outros países. Antes da Hungria, o presidente esteve na Rússia.

Orbán foi um dos poucos líderes europeus presentes na posse de Bolsonaro, em janeiro de 2019. Poucos meses depois, em abril, o húngaro recebeu o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em Budapeste, momento em que o filho do presidente brasileiro estava à frente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Bolsonaro retribuiria a visita em 2020, mas teve de suspender os planos por conta da pandemia de covid-19. Hoje, ele realiza a primeira viagem oficial ao país.

Além disso, tanto Bolsonaro quanto Orbán disputarão eleições em 2022. A visita do brasileiro também é tida como um movimento que pode ajudar a aglutinar apoio dentro do segmento conservador e engajar a militância dos dois líderes.

Tensão na fronteira entre Rússia e Ucrânia

Bolsonaro disse ter conversado com Orbán sobre questões ambientais, em menção direta à Amazônia, e também revelou ter feito comentários em relação à escalada de tensão nas relações entre Rússia e Ucrânia. Embora os russos tenham retirado parte de suas tropas da fronteira, ainda há possibilidade de um conflito armado.

Bolsonaro afirmou considerar que a desmobilização das tropas russas foi um "gesto" por parte do presidente Vladimir Putin.

Por outro lado, países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em especial os Estados Unidos e a Inglaterra, enxergam a iniciativa russa com ressalvas. Eles cobram provas concretas de que Putin estaria, de fato, disposto a ceder. Os aliados da Otan alegam que a desmobilização foi enganosa e que, paralelamente, outros contingentes de soldados estariam a caminho da fronteira.

"Passei para ele [Orbán] o meu sentimento, que tive nessa viagem. (...) Entendo, sendo coincidência ou não [em referência ao fato de a desmobilização de tropas russas ter ocorrido durante a sua estadia em Moscou], como um gesto de que realmente a guerra não interessa a ninguém. Não interessa ao mundo que dois países entrem em guerra. Porque todos perdem com isso", disse o mandatário do governo brasileiro.