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Comandante da FAB discute com Joice por militar preso com 39 kg de cocaína

O segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso em Sevilla, na Espanha, por transportar cocaína  - Reprodução Rede Social
O segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso em Sevilla, na Espanha, por transportar cocaína Imagem: Reprodução Rede Social

Colaboração para o UOL, em Maceió

13/05/2022 21h19

A deputada federal Joice Hasselmann (PSDB-SP) e o comandante da FAB (Força Aérea Brasileira), Baptista Jr, discutiram devido a demora da corporação em expulsar o militar Manoel da Silva Rodrigues, que foi preso em 2019 com 37 kg de cocaína em um aeroporto de Sevilha, na Espanha.

Manoel foi oficialmente expulso da FAB ontem, demora que para Hasselmann foi "conveniente", já que nesse tempo o sargento continuou recebendo salário. Baptista Jr, por sua vez, se incomodou com a declaração da parlamentar e chamou de "lamentável" a postura da tucana.

"Somente dois anos após a condenação, a FAB expulsou o sargento preso por tráfico de cocaína. Manoel foi preso em 2019, na Espanha, e até então continuou recebendo salário e até bônus! Demora conveniente", afirmou Joice Hasselmann em seu perfil no Twitter.

Nos comentários da postagem, o tenente-brigadeiro se manifestou em tom de repúdio e afirmou ter "o dever" de defender a Força Aérea Brasileira.

"A menos que a senhora saiba a quem seria conveniente, caso em que deveria denunciar, sua postura é lamentável, pois que [sic] ataca a instituição Força Aérea Brasileira, a qual tenho o dever de defender", escreveu.

Ontem, a FAB anunciou que "excluiu definitivamente de suas fileiras" o sargento Manoel da Silva Rodrigues, detido em junho de 2019 na Espanha com 39 kg de cocaína na bagagem, enquanto integrava a comitiva de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) em viagem oficial.

"A Força Aérea Brasileira reitera que atua para coibir irregularidades e que repudia condutas que não representam os valores, a dedicação e o trabalho do efetivo em prol do cumprimento de sua missão Institucional", diz trecho de comunicado divulgado.

A unidade militar informou que a expulsão se deu três anos após o ocorrido porque a decisão só era possível após se esgotarem os recursos de ampla defesa e contraditório.

"O tempo decorrido até a efetiva expulsão do Sargento esteve condicionado ao cumprimento dos devidos trâmites administrativos de intimação do militar, que se encontra detido em outro país, desde a sua prisão em flagrante", acrescentou.

Condenação na Justiça e desdobramentos

Em fevereiro deste ano, a Justiça Militar condenou Rodrigues a 14 anos e 6 meses de reclusão. Antes, em fevereiro de 2020, Rodrigues havia sido sentenciado pela Justiça espanhola a 6 anos de prisão e multado de 2 milhões de euros.

A partir da descoberta da cocaína em avião da comitiva do presidencial, a PF (Polícia Federal) começou a investigar um esquema de tráfico internacional de drogas em aeronaves da FAB.

Em fevereiro de 2021, a PF deflagrou a primeira etapa da operação, batizada de "Quinta Coluna".

Um mês depois, a Justiça determinou a prisão de outros três militares e da esposa de Manoel, por participação nos crimes. Segundo a PF, os investigados se associaram ao sargento preso na Espanha, "de forma estável e permanente, para a prática do crime de tráfico ilícito de drogas".

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