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Vereadora acusa deputado de transfobia por discurso da Alerj: 'Aberração'

A vereadora Benny Briolly foi vítima de ataques transfóbicos e racistas na Alerj - Divulgação/Benny Briolly
A vereadora Benny Briolly foi vítima de ataques transfóbicos e racistas na Alerj Imagem: Divulgação/Benny Briolly

Pedro Paulo Furlan

Do UOL, em São Paulo

18/05/2022 19h26

A vereadora de Niterói, Benny Briolly (PSOL), primeira mulher trans a ser eleita no Rio de Janeiro, foi alvo, ontem, de ataques transfóbicos e racistas, preferidos pelo deputado Rodrigo Amorim (PTB) na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Em sua fala, o parlamentar, que ficou conhecido por quebrar ao lado de Daniel Silveira uma placa em homenagem a Marielle Franco, chamou Briolly de "aberração da natureza" e se dirigiu a ela como "vereador homem de Niterói", entoando a voz no gênero masculino das palavras.

Amorim ainda classificou a vereadora como uma "aberração do alfabeto inteiro, designando o que eles chamam de gênero", tratando-a pelo gênero masculino ao longo de toda sua fala.

"Em Niteroi, um 'boizebu' que é uma aberração da natureza, aquele ser que está ali. Um vereador homem, pois nasceu com pênis e testículos, portanto, é homem. Agora, temos uma aberração do alfabeto inteiro designando o que eles chamam de gênero, gêneros aleatórios", atacou o parlamentar.

Além disso, Amorim referiu-se a Briolly como "soldado do mal, fedendo a enxofre".

Em suas redes sociais, a vereadora Benny Brioly denunciou os ataques, afirmando que "a fala de Rodrigo Amorim espanta por conseguir ser inédito no grau de ódio nas ofensas proferidas. Tendo, inclusive, acontecido de forma aberta em uma sessão ordinária dentro da terceira maior casa legislativa do país".

"Benny Briolly acumula mais de 20 ameaças de morte, já foi vítima de ataques racistas e transfóbicos por vereador bolsonarista na Câmara Municipal de Niterói e por apoiadores e por diversas vezes já teve sua fala interrompida por pessoas que apontavam contra ela crucifixo, imagens de Nossa Senhora, Jesus Cristo e a bandeira do Brasil, além de gestos violentos como armas, vaias e xingamentos", escreveu ela.

A reportagem do UOL entrou em contato com o deputado Rodrigo Amorim, mas o parlamentar ainda não retornou aos pedidos de posicionamento.

Vereadora tomará medidas judiciais contra Rodrigo Amorim

Benny Briolly confirmou ao UOL que irá registrar uma ocorrência e que sua equipe irá entrar com representação contra o deputado na Alerj.

A transfobia, ato de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito contra pessoas trans em razão de sua identidade de gênero, é considerada crime desde junho de 2019, pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

"Seguimos reafirmando que isso não vai ficar assim. Já estamos tomando medidas e vamos registrar uma ocorrência. O pessoal vai entrar com uma representação na Alerj contra ele e dizer que o Brasil ocupa o ranking de assassinato de mulheres trans e travestis por ter, na política, parlamentares que herdam os resquícios do processo escravocrata de opressão, de genocídio e de extermínio contra os nossos corpos", afirmou a vereadora.

Briolly ainda repudiou as falas do deputado e o próprio parlamento, por ter "mais um criminoso reproduzindo ataques e violências criminosas que corroboram para que a população trans continue ocupando o ranking da população mais assassinada no mundo".

Leia abaixo o posicionamento na íntegra enviado UOL pela vereadora.

"É repudiável o parlamento ter mais um criminoso, porque transfobia é crime, reproduzindo ataques e violências criminosas que corroboram para que a população trans continue ocupando o ranking da população mais assassinada no mundo, o Brasil é o que mais mata travestis e transexuais. Em segundo lugar, não era de se esperar diferente de um fascista que corrobora, inclusive, com a milícia, que apresenta um projeto que quer dar anistia para presos militares que são acusados de estarem envolvidos com milícias, o mesmo que quebra a placa da Marielle Franco, mulher preta, executada por carregar uma política de combate a tudo que representa o fascismo, entranhado no corpo dele.

Por fim, a gente segue reafirmando que isso não vai ficar assim, já estamos tomando medidas e vamos registrar uma ocorrência, o pessoal vai entrar com uma representação na Alerj contra ele e dizer que o Brasil ocupa o ranking de assassinato de mulheres trans e travestis por ter, na política, parlamentares que herdam os resquícios do processo escravocrata de opressão, de genocídio e de extermínio contra os nossos corpos, esse fascista é mais um representante do fascismo, do autoritarismo e da barbárie, mas eu sigo em luta e não vou aceitar ser interrompida por ele e por nenhum outro".

A transfobia, ato de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito contra pessoas trans em razão de sua identidade de gênero, é considerada crime desde junho de 2019, pelo STF.

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