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1 mês

Delegado influencer faz vídeo ironizando Lula com 'livro recheado' de arma

Paulo Bilynskyj postou vídeo em que ironiza declaração de Lula - Reprodução: Instagram
Paulo Bilynskyj postou vídeo em que ironiza declaração de Lula Imagem: Reprodução: Instagram

Tiago Minervino

Colaboração para o UOL, em Maceió

20/05/2022 16h35

O delegado de polícia de São Paulo Paulo Bilynskyj, que também atua como influenciador digital em defesa do armamento, gravou um vídeo no clube de tiro e caça TZB, de Goiânia (GO), direcionado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em que exibe "livros recheados" com armas de fogo, para ironizar uma declaração recente do petista na qual ele defendeu que os clubes de tiro sejam transformados em clubes de leitura.

Na gravação, compartilhada no perfil do Instagram de Bilynskyj, que conta com mais de 660 mil seguidores, o delegado influencer surge na companhia de outras duas pessoas frequentadoras do TZB, e, juntos, eles exibem três "livros", todos sem páginas, mas com revólveres dentro.

"Oi, Lula. A gente já começou o clube do livro no TZB, em Goiânia. A gente adora você cara. Olha que livro bonito", declarou, em tom irônico o instrutor de tiros e delegado paulista.

Nas redes sociais, tanto Paulo quanto a escola e clube de tiros TZB se posicionam de forma crítica ao ex-presidente Lula.

Ao UOL, a assessoria de imprensa do PT informou que vai avaliar a gravação "juridicamente".

Em comunicado enviado ao UOL, Hugo Santos, presidente do Clube de Tiro e Caça TZB, afirmou que o delegado Paulo Bilynskyj frequenta o espaço quando está por Goiânia, mas negou que seja funcionário do clube e que o vídeo seja uma ameaça à vida do petista.

Ainda, Santos reiterou que a gravação irônica "tem o objetivo de dar publicidade" ao posicionamento de Lula em defesa do fechamento dos clubes de tiros, pois o petista "tem a intenção de acabar com empregos de um setor que gera empregos e proporciona diversão a milhões de brasileiros".

"Os clubes de tiros hoje no Brasil empregam mais de 150 mil pessoas e continuam gerando novas oportunidades de emprego [...] Os clubes de tiros não serão fechados por Lula ou qualquer outro que seja eleito, pois todo cidadão brasileiro tem direito ao esporte, à saúde, à educação e à segurança pública."

A reportagem também contatou o delegado Paulo Bilynskyj, mas ainda não obteve retorno. Quando a resposta for enviada, a matéria será atualizada.

Lula defende transformar clubes de tiros em clubes de livros

Em abril, no evento em que o PSOL oficializou o apoio à campanha do ex-presidente Lula no pleito presidencial deste ano, o petista, ao criticar o presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que os clubes de tiros que foram criados nos últimos anos devem "ser fechados" e substituídos por "clubes de livros". "Trocar os tiros pelos livros", pontuou.

Já ao oficializar sua candidatura neste mês, Lula voltou a defender que o país precisa de mais livros e de menos armas.

"O Brasil terá a oportunidade de decidir que país vai ser pelos próximos anos e [pelas] próximas gerações. O Brasil da democracia ou do autoritarismo? Do conhecimento e tolerância ou do obscurantismo e da violência? Da educação e cultura ou dos revólveres e fuzis?", declarou.

Delegado levou seis tiros em briga com ex

Paulo Bilynskyj ganhou projeção nacional em maio de 2020, quando virou notícia ao ser atingido por seis tiros durante uma briga com a noiva Priscila de Bairros, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Após atirar contra o delegado, Priscila teria atirado contra ela mesma e morreu no local.

O inquérito que investiga o caso ainda não foi concluído, mas, no ano passado, em entrevista ao "Domingo Espetacular", da RecordTV, Bilynskyj disse que não seria possível ele ter atirado e que "nunca" foi acusado "de nada".

"Sempre ficou bem claro que eu era a vítima. Pelos ângulos dos disparos, era impossível fisicamente. Bala não faz curva", disse.

Na ocasião, os advogados da família de Priscila questionaram o motivo que levou a modelo a tirar a própria vida e indicaram que, "dependendo o que motivou, o doutor Paulo pode responder por instigação ao suicídio".

Segundo o delegado, na noite anterior aos tiros, Priscila viu uma mensagem de uma mulher no computador do namorado e não gostou. Ele diz que era uma mensagem anterior ao relacionamento dos dois, de uma admiradora do seu trabalho como policial.

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