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Marcelo Ramos discursa após deixar vice da Câmara; Lira chama de 'lacração'

Marcelo Ramos deixou o cargo de vice-líder da Câmara - Agência Câmara
Marcelo Ramos deixou o cargo de vice-líder da Câmara Imagem: Agência Câmara

Colaboração para o UOL, em Maceió

24/05/2022 20h19

O deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM) discursou hoje na tribuna da Câmara um dia depois de ter sido destituído do cargo de vice-líder da Casa e afirmou que sua retirada da vice-presidência se deu por uma decisão "política perigosa", devido ao fato de não acatar em silêncio "os ataques" feitos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Tive que tomar uma decisão que definirá o que sou: aceitar o silêncio em relação aos ataques do presidente Bolsonaro à Zona Franca de Manaus e ao meu Amazonas ou manter-me na vice-presidência. Eu decidi: meu lado é ao lado do povo do Amazonas", discursou.

Para o parlamentar, sua destituição não se deu por uma "decisão regimental ou jurídica", mas, sim, por motivações políticas, que ele classifica como "perigosas", porque "atenta contra a liberdade e a autonomia deste Poder".

"Quando o Executivo ataca a democracia é perigoso, [mas] quando o Executivo se consorcia com o Legislativo para atacá-la é mortal", afirmou.
Segundo o parlamentar, "os ideais e as honras de um homem não cabem em um cargo", e ressaltou ser preciso "preservar a dignidade democrática", pois ele não é movido por "vaidades, por cargos ou por bajulações".

Marcelo Ramos reiterou que não pretender gastar energia parlamentar por um cargo, enquanto "milhões de brasileiros estão desempregados e não têm sequer o que comer". Para o parlamentar, não faz sentido comprar essa briga diante da realidade político-econômica do país, "quando Bolsonaro perdeu perde o controle da inflação e tira o direito do brasileiro de comer, de comprar botijão de gás e de pagar a conta de energia".

Ao se referir diretamente ao presidente da Câmara, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), ele afirmou que o alagoano não ganhou um inimigo ou um adversário, mas salientou que esses cargos são giratórios.

"Presidente Arthur Lira, o senhor não ganha um inimigo, nem mesmo um adversário, seguirei respeitando a vontade da maioria dos colegas que o legitimam como presidente da Casa", pontuou. "A cadeira de vice-presidente é giratória, assim como todas as outras cadeiras da mesa. Mas tudo tem um ponto de referência, de escolha, uma decisão, entre o certo e o errado. Escolhi cumprir a missão que o povo do Amazonas me deu. Entre o povo do Amazonas e Bolsonaro, sou o povo do Amazonas", completou.

Ao rebater Marcelo Ramos, Arthur Lira chamou o discurso do deputado de "lacrações palanqueiras", e afirmou que não vai reagir a "celeumas de redes sociais", independentemente de quem seja o parlamentar.

Ramos foi destituído da vice-liderança da Câmara

Arthur Lira destituiu ontem Marcelo Ramos do cargo de vice-liderança da Câmara Federal, após o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes, suspender a decisão que permitiu a Ramos de continuar na Mesa Diretora, após ele trocar o PL pelo PSD.

Crítico do presidente Jair Bolsonaro, Marcelo Ramos atribuiu sua destituição aos embates que travou com o mandatário em torno do corte no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que afeta a Zona Franca de Manaus.

Ramos migrou para o PSD em fevereiro, pouco tempo depois de Bolsonaro se filiar ao PL. Desde então, o chefe do Executivo Federal pressionava para que o deputado manauara fosse retirado da Mesa Diretora.

Hoje, em entrevista ao UOL News, Marcelo Ramos afirmou que Bolsonaro "é o dono da Câmara dos Deputados". Sem meias palavras, ele se referiu ao mandatário como "proprietário" do Casa.

A decisão proferida por Alexandre de Moraes que tirou Ramos da Mesa Diretora também afetou as deputadas Marília Arraes, que trocou o PT pelo Solidariedade, e Rose Modesto, que saiu do PSDB para o União Brasil. Amanhã, o PL, o PT e o PSDB deverão eleger novos nomes para os cargos.

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