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Política

Milton Ribeiro pediu oração por ação no STF em culto 3 dias antes da prisão

Do UOL, em São Paulo

22/06/2022 21h21

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro pediu orações a fiéis na igreja onde é pastor apenas três dias antes de preso hoje pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no MEC (Ministério da Educação). A fala dizia respeito à ação contra ele por homofobia.

"Quero também pedir aos irmãos que orem por mim. Nessa semana passada, fui informado que tem uma ação contra mim por homofobia, porque eu me neguei a permitir que crianças de 6 a 10 anos fossem expostas a 'ideologia de gênero'. Então, não é nada para os irmãos se envergonharem de mim. Mas eu gostaria muito que os irmãos orassem por mim", disse no domingo (19) em culto da Igreja Presbiteriana Jardim de Oração de Santos, em São Paulo.

O ex-ministro também disse que iria a Brasília nessa semana. Ribeiro, porém, não especificou o que faria na cidade.

No último dia 13 de junho o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli encaminhou para a primeira instância a denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Na semana anterior, a Procuradoria pediu o envio do caso para a Justiça Federal do Distrito Federal após Ribeiro perder o foro privilegiado.

Milton Ribeiro foi denunciado sob a acusação de homofobia por declarações dadas em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em setembro de 2020. Na ocasião, o então ministro disse que o adolescente opta por "andar no caminho do homossexualismo (sic)" por viver em um contexto familiar "desajustado".

"São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe. Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem de fato e caminhar por aí. São questões de valores e princípios", disse.

Embora não seja tipificada como um crime separado, a homofobia foi equiparada ao crime de racismo pelo STF por 8 votos a 3 em junho de 2019. Nesta situação, quem comete um ato de homofobia pode ser condenado nas mesmas penas de quem pratica um ato de racismo.

A denúncia foi apresentada depois que Ribeiro rejeitou um acordo de não persecução penal oferecido pela PGR. Na ocasião, o ministro disse que não aceitaria a proposta por considerar que já havia pedido desculpas pelas falas. Na representação, a Procuradoria disse que as declarações de Ribeiro induziram ao preconceito contra homossexuais e colocaram esse grupo "no campo da anormalidade".

Entenda a prisão de Milton Ribeiro

Hoje, a PF deflagrou a operação "Acesso Pago", que apura indícios de pagamento de propina e atuação de lobistas no processo de liberação de verbas do ministério a municípios. Ribeiro é suspeito de realizar tráfico de influência a fim de beneficiar aliados com recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), órgão ministério controlado por políticos do centrão.

O caso foi revelado inicialmente em reportagem do jornal O Estado de S.Paulo. O inquérito da PF cita ao menos quatro investigados, e há ainda indícios de corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa.

Em março deste ano, a Folha de S. Paulo obteve um áudio em que o então ministro da Educação Milton Ribeiro diz que o governo federal prioriza prefeituras ligadas a dois pastores. Sem cargos, eles atuariam em um esquema informal de obtenção de verbas da pasta.

Segundo Ribeiro, essa é uma solicitação de Bolsonaro: "Foi um pedido especial que o Presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar". Os dois religiosos envolvidos seriam Gilmar Silva dos Santos e Arilton Moura Correia. Ribeiro é reverendo presbiteriano.

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