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Ribeiro vendeu carro a filha de pastor por R$ 30 mil a menos do que vale

SUV Kia Sportage 2015/2016 tinha preço médio de R$ 92 mil em fevereiro deste ano - Divulgação
SUV Kia Sportage 2015/2016 tinha preço médio de R$ 92 mil em fevereiro deste ano Imagem: Divulgação

Anna Satie

Do UOL, em São Paulo

23/06/2022 15h46Atualizada em 23/06/2022 15h46

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro vendeu um carro à filha do pastor Arilton de Moura em fevereiro deste ano por R$ 32 mil a menos do que a tabela Fipe, principal referência para negociação de veículos usados, diz valer.

O advogado de Ribeiro, Daniel Bialski, admitiu que houve um depósito de R$ 50 mil na conta da esposa do ex-ministro, Myriam. O valor seria da venda de um carro.

Em entrevista à Globo News, Bialski contou que o carro era uma Ford EcoSport, vendida a R$ 60 mil — R$ 50 mil foram creditados à Myriam, enquanto os outros R$ 10 mil foram entregues de outra maneira, que não foi detalhada pelo defensor.

Entretanto, mandado de busca e apreensão expedido mais cedo neste mês e obtido pelo UOL, mostra que o carro vendido era, na verdade, um Kia Sportage EX 2015/2016. Em fevereiro deste ano, mês em que ocorreu a negociação, o preço médio do SUV era de R$ 92.478, segundo a tabela Fipe. Logo, Ribeiro teria concedido um desconto de mais de R$ 30 mil à família do pastor.

Questionado sobre as disparidades, o advogado Bialski disse que se confundiu com os modelos dos veículos e que "ninguém vende o carro pelo valor da tabela Fipe". Além disso, ele disse não saber em que estado o automóvel se encontrava, e se tinha multas ou impostos pendentes. O defensor disse que vai verificar a informação com o ex-ministro.

Apesar da afirmação do advogado, o preço de carros usados subiu 22% no ano passado. Um levantamento mostra que, em maio daquele ano, havia veículos sendo vendidos com preço até 32% maior que o apontado na Fipe, dada a inflação, alta procura e escassez de componentes.

Ribeiro e Moura foram presos ontem, investigados pelo "gabinete paralelo" instalado no Ministério da Educação, em que pastores eram favorecidos na distribuição de verbas da pasta.

Há pouco, o desembargador Ney Bello, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) atendeu a um pedido da defesa de Ribeiro e ordenou a soltura deles.

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