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Defesa e Forças Armadas apresentam notícia-crime contra Ciro Gomes

Ciro Gomes, candidato à Presidência da República pelo PDT - Reprodução/Youtube Flow
Ciro Gomes, candidato à Presidência da República pelo PDT Imagem: Reprodução/Youtube Flow

Do UOL, em São Paulo

23/06/2022 20h41Atualizada em 24/06/2022 09h28

O Ministério da Defesa e as Forças Armadas apresentam à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma notícia-crime contra o pré-candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes. Em nota conjunta, em que anunciam a medida, as instituições criticam o que chamaram de "irresponsáveis declarações".

Na última terça-feira (21), em uma entrevista à rádio CBN, Ciro disse que as Forças Armadas são coniventes com os crimes ocorridos na região da Amazônia. Segundo o político, o narcotráfico é claramente protegido por autoridades brasileiras.

Bolsonaro destruiu as raríssimas bases de comando e controle: ele desmontou o ICMBio, desmontou a Funai, desmontou o Ibama, destruiu a capacidade operacional das Forças Armadas, que não têm efeito, verba, tecnologia para administrar a imensa faixa de fronteira seca. E isso acabou transformando o território nessa holding do crime, claramente protegida por autoridades brasileiras, inclusive das Forças Armadas.
Ciro Gomes, em entrevista à rádio CBN

Em resposta divulgada na manhã desta sexta-feira, Ciro afirma que se trata de uma "nota agressiva e intempestiva do comando das Forças Armadas" e argumenta que as suas falas foram descontextualizadas (veja mais abaixo).

As afirmações, segundo a Defesa, "afetam gravemente a reputação e a dignidade" das instituições. Ambos afirmaram que "muito se orgulham" de trabalhar pela defesa e proteção da região e no "combate a ilícitos ambientais e transfronteiriços".

"Não é admissível, em um estado democrático, que sejam feitas acusações infundadas de crime, sem a necessária identificação da autoria por parte do acusador e sem a devida apresentação de provas, ainda mais quando dirigidas a Instituições perenes do Estado brasileiro", diz a nota.

O pedido de investigação enviado à PGR fala nos supostos crimes de "incitar, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade" e "propalar fatos, que sabe inverídicos, capazes de ofender a dignidade ou abalar o crédito das Forças Armadas ou a confiança que estas merecem do público".

Resposta de Ciro Gomes

Ciro Gomes afirma que a notícia-crime "explicita o grau de politização do atual comando das Forças Armadas" e "tenta distorcer a crítica" que ele fez "ao notório descontrole que impera, em áreas da Amazônia".

"Em nenhum momento, disse que as Forças Armadas, enquanto instituições de estado, estariam envolvidas com essa holding criminosa. Afirmei —e reafirmo— que frente à desenvoltura com que um tipo de estado paralelo age na área, é impossível não imaginar que alguns membros das forças de segurança possam estar sendo coniventes por dolo ou omissão", declarou o pré-candidato à Presidência da República pelo PDT.

"Ao responder pergunta específica do jornalista, exerci meu direito de liberdade de expressão, sem excesso ou qualquer discurso de ódio. Muito menos com desrespeito a uma instituição que prezo e defendo. Inclusive, afirmei, na mesma entrevista, que os militares são elementos essenciais a um Projeto Nacional de Desenvolvimento, além de ressaltar a importância do fortalecimento das Forças Armadas em um possível governo que eu venha a presidir", acrescentou o político.

Ciro também critica o presidente Jair Bolsonaro, sem citar seu nome.

"Não me surpreende, portanto, que a iniciativa desta ação política contra mim -e contra a minha candidatura- parta de um Ministro da Defesa que, possivelmente obedecendo ordens de seu comandante supremo, vem se notabilizando por tentativas de interferência no processo político. Como fez, recentemente, em relação ao Tribunal Superior Eleitoral."

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