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Após superar ebola, cinegrafista americano deixa hospital

Em São Francisco

23/10/2014 10h22

O cinegrafista americano Ashoka Mukpo, de 33 anos, que contraiu ebola na Libéria enquanto trabalhava para a emissora "NBC" saiu nesta quarta-feira (22) do hospital onde estava internado há mais de duas semanas, depois que uma análise sanguínea confirmou que ele já está livre do vírus.

"Hoje é um dia feliz para minha família e para mim. Após imperecíveis semanas durante as quais não estava claro se eu sobreviveria, hoje saio do hospital com as minhas próprias pernas e livre do ebola", expressou Mukpo em comunicado lido durante a entrevista coletiva dada pelo reitor da Universidade do Centro Médico Nebraska, Jeffrey Gold.

Os resultados das análises feitas pelos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) confirmaram que Mukpo, uma das oito pessoas que foram tratadas por ebola nos Estados Unidos, está curado. Ele saiu da unidade de isolamento do Centro Médico de Omaha (Nebraska) às 9h (hora local, meio-dia em Brasília). O cinegrafista foi internado no último dia 6, após ser repatriado da Libéria.

Mukpo não participou da entrevista coletiva, mas garantiu no comunicado que dedicará as próximas semanas a "compartilhar" suas experiências com a imprensa.

"Esta é uma bênção e tenho que agradecer o atendimento de primeira classe que recebi no Centro Médico Nebraska", declarou o cinegrafista, destacando também o trabalho do Departamento de Estado dos EUA (responsável de sua repatriação), a embaixada americana em Monróvia (Libéria) e o equipe de Médicos sem Fronteiras (MSF) na África.

Mukpo foi tratado com um fármaco experimental e com transfusões de sangue de outro paciente que superou a doença.

Entenda o ebola

  • O que é o ebola?

    É uma doença causada por vírus, que pode ser fatal em até 90% dos casos. A morte geralmente ocorre por falhas renais e problemas de coagulação, em até duas semanas após a aparição dos primeiros sintomas.

  • Como se contrai o vírus?

    Ele é transmitido pelo contato direto e intenso com sangue e fluidos corporais (como suor, urina, fezes e sêmen, por exemplo) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados. Até o momento, não há notícias de pessoas que transmitiram o vírus antes de apresentarem os sintomas.

  • Quais os sintomas mais comuns?

    Febre repentina, fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e inflamação na garganta. Depois, vômito, diarreia, coceira, deficiência hepática e renal e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. O período de incubação costuma ser de dois a 21 dias, ou seja, esse é o tempo que pode levar para a pessoa infectada começar a apresentar os sintomas.

  • O que é um caso confirmado?

    Um caso suspeito com resultado laboratorial positivo para o vírus ebola realizado em laboratório de referência.

  • O 1º exame negativo descartada a doença?

    Não. O descarte só é feito após dois exames laboratoriais negativos com intervalos de 48h entre eles.

  • Qualquer unidade de saúde pode colher sangue para teste?

    Não. Esta doença é de notificação compulsória imediata. O Ministério da Saúde recomenda que, em caso de suspeita, a pessoa seja isolada e o ministério, acionado imediatamente para que o paciente seja levado a uma unidade de referência. Somente neste local pode ser feita a coleta de sangue.

  • Qualquer laboratório pode manipular o sangue de um caso suspeito?

    Não. Apenas um laboratório no Pará tem nível internacional de segurança 3 e, por isso, é o único credenciado pelo Ministério da Saúde para manipular e diagnosticar vírus ebola.

  • Como transportar pacientes suspeitos e/ou confirmados com ebola?

    Uma ambulância é previamente envelopada (seu interior é coberto por plástico para que não haja contato dos instrumentos com o paciente). Durante o transporte, tanto o paciente quanto a equipe médica e o motorista utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPI): macacão de tyvek, protetor facial, bota, luvas, entre outros.

  • O paciente deve ser colocado na ambulância em maca-bolha?

    Não há essa indicação técnica, já que a doença não é transmitida pelo ar e os profissionais de saúde estão usando todos os EPIs indicados no protocolo.

  • O que é feito quando há confirmação de caso de ebola?

    Os pacientes devem ser mantidos isolados, em suporte intensivo, em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Todo e qualquer profissional de saúde que tiver contato com o paciente deve estar usando EPI.

  • O ebola tem tratamento específico?

    Não. Em geral os médicos recorrem a medicamentos para aliviar os sintomas, mas a cura depende do organismo do paciente. Existem apenas remédios e vacinas experimentais sendo testados no Canadá e nos EUA. O Zmapp, publicado no meio científico desde 2012, foi usado em humanos pela 1ª vez no surto atual, já que a OMS só libera o uso de medicamentos de alto risco em situações extremas.

  • Existe risco de epidemia de ebola no Brasil?

    O risco é extremamente baixo. Mesmo que haja casos confirmados isolados, a adoção de protocolos de isolamento, monitoramento e bloqueio evita a ocorrência de surto.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola, e há casos na Nigéria e no Congo. EUA, Espanha e Reino Unido levaram compatriotas infectados para tratamento em seus países.

  • Como pode ser feita a notificação de um caso suspeito?

    O Ministério da Saúde disponibilizou alguns canais para profissionais de saúde: o telefone 0800 644 6645 e o e-mail notifica@saude.gov.br. A população pode usar o número 136.