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Bebê Sofia é incluída na lista de transplantes dos Estados Unidos

Reprodução/Facebook Ajude a Sofia
Imagem: Reprodução/Facebook Ajude a Sofia

Eduardo Schiavoni

Do UOL, em Americana (SP)

30/07/2014 23h26

Após uma bateria de exames que durou quase um mês, a bebê Sofia Lacerda Gonçalves, de sete meses, foi incluída nesta terça-feira (29) na lista nacional de transplantes dos Estados Unidos. A informação é do médico brasileiro Rodrigo Vianna, que atende a menina e fará os seis transplantes de órgãos do sistema digestório que ela necessita para sobreviver.

Portadora da Síndrome de Berdon, Sofia espera agora um doador. Não existe prazo para que o transplante seja feito. "O importante era ela entrar na lista. Agora, ela pode ter acesso aos órgãos que surgirem no sistema", explicou Vianna.

Vianna afirmou que o controle da lista é feito pelo governo americano e não há como saber em que posição a bebê está. Segundo o médico, no entanto, esse detalhe não é tão relevante.

"A posição é variável, não é fixa. Cada vez que surge algum órgão, a classificação é refeita dependendo do peso, tamanho e característica dos pacientes. A cada doador, a lista muda”, disse.

O médico exemplificou: "existem pacientes cujo doador pode ter peso máximo de 10 quilos, por exemplo. Se aparecer um doador com 11 quilos, esses pacientes não aparecem na lista", disse. O peso de Sofia, segundo o médico, é de sete quilos. "Ela tem acesso a doadores com peso 50% maior ou menor que o dela. Quanto mais ela engordar, a mais doadores ela terá acesso", disse.

A mãe de Sofia, Patricia Lacerda, comemorou a inclusão da filha na lista através do Facebook. Escrevendo como se fosse a menina, ela pediu apoio. "Agora é só esperar. Com fé em Deus, logo conseguirei meu doador. Conto com as orações de todos vocês para que tudo venha dar certo", disse.

Condições

Ainda segundo Vianna, os exames laboratoriais de Sofia estão normais e ela está bem. "Está progredindo a cada dia", disse. "Mas isso pode ser um problema, porque, no
sistema daqui, quanto melhor o quadro dela, mais o transplante pode demorar", disse. Ele explicou ainda que pacientes que correm mais risco de morte ganham pontos extras na disputa pelos órgãos.

Apesar disso, a demora --que pode durar até dois anos-- não é vista como um problema para a equipe médica do hospital. "Enquanto ela estiver bem, não há problema".

O caso

A entrada na lista de transplantes ocorre quase um mês após Sofia desembarcar nos Estados Unidos. Ela embarcou no dia 3 de julho depois de uma batalha judicial que demorou seis meses no Brasil. Na mais importante das decisões, em 28 de maio, o TRF-SP (Tribunal Regional Federal de São Paulo) determinou que a União arcasse com o tratamento da bebê e pagasse o transplante.

Após a decisão, Sofia deixou o Hospital das Clínicas de São Paulo e foi transferida para o Hospital Samaritano, em Sorocaba (a 99 km da capital paulista), onde seguiu internada até embarcar para os Estados Unidos. A família de Sofia chegou a pedir, em 16 de junho, a prisão do ministro da Saúde por descumprir a decisão, que vencera em 10 de junho, mas, no dia 17, o pagamento foi feito e ela embarcou assim que os problemas burocráticos foram resolvidos.

No Brasil, ela já havia passado por três cirurgias desde que nasceu para amenizar o problema, mas a cura só é possível com os transplantes. Os procedimentos serão feitos no Jackson Memorial Medical e custam R$ 2,4 milhões, pagos pela União, que foi obrigada pela Justiça a pagar o tratamento e qualquer outro gasto extra que surgir. O dinheiro já foi depositado na conta do hospital.