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Suspeito de ebola em voo para Madri passa por exames

Do UOL, em São Paulo

2014-10-16T10:44:47

2014-10-16T11:12:06

16/10/2014 10h44Atualizada em 16/10/2014 11h12

Um passageiro da Air France foi submetido a um exame médico nesta quinta-feira (16) no pouso de um avião da companhia aérea em Madri, seguindo o protocolo de emergência para ebola, anunciou a Air France. O avião, que partiu do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, aterrissou em Barajas com 156 passageiros e sete tripulantes.

O avião, vindo de Paris, foi dirigido a uma área especial, onde uma equipe médica embarcou para examinar o passageiro, indicou a agência de transporte aéreo espanhola Aena em um comunicado.

"O protocolo de emergência sanitária foi ativado no aeroporto Adolfo Suarez Madrid-Barajas para um passageiro em uma aeronave da Air France proveniente de Paris", anunciou a Aena.

Mais sobre o ebola

Fontes de saúde informaram à agência de notícias Efe que o passageiro permaneceu em observação na área de isolamento do aeroporto até sua transferência para o hospital

O Ministério da Saúde da Espanha confirmou que o protocolo de emergência para ebola estava em prática. De acordo com a ministra Ana Mato, o passageiro se queixou de febre e dor de cabeça e está sendo avaliado.

A Aena e a Air France disseram em comunicados separados que um passageiro do voo 1300 da Air France procedente de Lagos (Nigéria), via Paris, começou a tremer durante o voo. A Air France informou que os outros passageiros desembarcaram do avião, que agora vai ser desinfectado. O voo de volta foi cancelado.

O passageiro nigeriano fez uma escala em Paris vindo de Lagos, na Nigéria, e já foi levado para o hospital Carlos III de Madri, centro de tratamento do ebola na Espanha.

O restante dos passageiros precisou deixar o nome e o telefone de contato com as autoridades de saúde e foram orientados a entrar em contato em caso de algum sinal de febre. (Com El País e as agências internacionais)

Entenda o ebola

  • O que é o ebola?

    É uma doença causada por vírus, que pode ser fatal em até 90% dos casos. A morte geralmente ocorre por falhas renais e problemas de coagulação, em até duas semanas após a aparição dos primeiros sintomas.

  • Como se contrai o vírus?

    Ele é transmitido pelo contato direto e intenso com sangue e fluidos corporais (como suor, urina, fezes e sêmen, por exemplo) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados. Até o momento, não há notícias de pessoas que transmitiram o vírus antes de apresentarem os sintomas.

  • Quais os sintomas mais comuns?

    Febre repentina, fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e inflamação na garganta. Depois, vômito, diarreia, coceira, deficiência hepática e renal e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. O período de incubação costuma ser de dois a 21 dias, ou seja, esse é o tempo que pode levar para a pessoa infectada começar a apresentar os sintomas.

  • O que é um caso confirmado?

    Um caso suspeito com resultado laboratorial positivo para o vírus ebola realizado em laboratório de referência.

  • O 1º exame negativo descartada a doença?

    Não. O descarte só é feito após dois exames laboratoriais negativos com intervalos de 48h entre eles.

  • Qualquer unidade de saúde pode colher sangue para teste?

    Não. Esta doença é de notificação compulsória imediata. O Ministério da Saúde recomenda que, em caso de suspeita, a pessoa seja isolada e o ministério, acionado imediatamente para que o paciente seja levado a uma unidade de referência. Somente neste local pode ser feita a coleta de sangue.

  • Qualquer laboratório pode manipular o sangue de um caso suspeito?

    Não. Apenas um laboratório no Pará tem nível internacional de segurança 3 e, por isso, é o único credenciado pelo Ministério da Saúde para manipular e diagnosticar vírus ebola.

  • Como transportar pacientes suspeitos e/ou confirmados com ebola?

    Uma ambulância é previamente envelopada (seu interior é coberto por plástico para que não haja contato dos instrumentos com o paciente). Durante o transporte, tanto o paciente quanto a equipe médica e o motorista utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPI): macacão de tyvek, protetor facial, bota, luvas, entre outros.

  • O paciente deve ser colocado na ambulância em maca-bolha?

    Não há essa indicação técnica, já que a doença não é transmitida pelo ar e os profissionais de saúde estão usando todos os EPIs indicados no protocolo.

  • O que é feito quando há confirmação de caso de ebola?

    Os pacientes devem ser mantidos isolados, em suporte intensivo, em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Todo e qualquer profissional de saúde que tiver contato com o paciente deve estar usando EPI.

  • O ebola tem tratamento específico?

    Não. Em geral os médicos recorrem a medicamentos para aliviar os sintomas, mas a cura depende do organismo do paciente. Existem apenas remédios e vacinas experimentais sendo testados no Canadá e nos EUA. O Zmapp, publicado no meio científico desde 2012, foi usado em humanos pela 1ª vez no surto atual, já que a OMS só libera o uso de medicamentos de alto risco em situações extremas.

  • Existe risco de epidemia de ebola no Brasil?

    O risco é extremamente baixo. Mesmo que haja casos confirmados isolados, a adoção de protocolos de isolamento, monitoramento e bloqueio evita a ocorrência de surto.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola, e há casos na Nigéria e no Congo. EUA, Espanha e Reino Unido levaram compatriotas infectados para tratamento em seus países.

  • Como pode ser feita a notificação de um caso suspeito?

    O Ministério da Saúde disponibilizou alguns canais para profissionais de saúde: o telefone 0800 644 6645 e o e-mail notifica@saude.gov.br. A população pode usar o número 136.

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