Brasil não combateu Aedes aegypti "para vencer", diz ministro da Saúde

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Gravatá (PE)

  • Beto Macário/UOL

    Ministro da Saúde, Marcelo Castro, participou de coletiva sobre o combate à microcefalia em Gravatá (PE)

    Ministro da Saúde, Marcelo Castro, participou de coletiva sobre o combate à microcefalia em Gravatá (PE)

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, admitiu nesta segunda-feira (30) que o Brasil não combateu o mosquito Aedes aegypti, "para vencer" --o que teria levado o país enfrentar uma epidemia de zika, febre chikungunya e dengue em 2015, com mais de 1,5 milhão de casos. Castro participou de uma reunião com prefeitos de Pernambuco em Gravatá (a 80 km do Recife), Estado com maior número de casos de microcefalia.

"O zika vírus é hoje o inimigo número um da saúde pública do Brasil. A gente vinha combatendo a dengue, combatendo o mosquito Aedes aegypti, mas, como disse o nosso prefeito [do Recife] Geraldo Júlio, a gente vinha, assim, 'combatendo', mas não era aquele combate para vencer: era em fogo brando. E na verdade vínhamos perdendo essa batalha. Esta nós não podemos perder porque são dramas humanos", disse.

O ministro foi a Pernambuco, Estado que concentra 646 casos de bebês com microcefalia. No entanto, não foi apresentado um plano de combate ao surto. Mais cedo, o ministério da Saúde confirmou pela primeira vez a existência de relação entre o zika vírus e a microcefalia. 

Segundo Castro, 17 ministérios estão envolvidos nessa discussão e o plano com valores de investimento deve ser apresentado na próxima semana. "É plenamente possível [o remanejamento de recursos], visto que não há, neste momento, nenhum problema com essa gravidade, com a necessidade e ações urgentes", afirmou.

Puxão de orelhas

O ministro ainda deu um puxão de orelha nos gestores pernambucanos por cobrarem mais recursos. "Não é só falta de dinheiro, é também má gestão, desvio de recursos, gente inescrupulosa fazendo miséria com dinheiro público. Nós temos que ser o máximo eficiente possível para ter moral, para ir à opinião pública de maneira enfática pedir mais recurso. Mas para isso a sociedade precisa saber que o seu dinheiro será bem aplicado", afirmou.

O ministro voltou a dizer que ainda não há informações suficientes para saber quais as consequências do problema nos próximos meses, nem soube afirmar se os números tendem a crescer nas próximas semanas. "Tudo para nós é novidade. Tudo que está sendo relatado agora, que está sendo descrito vamos formar a literatura daqui por diante para todo o mundo.

"Também nesta segunda-feira, o governo de Pernambuco lançou o plano emergencial de enfrentamento ao mosquito Aedes Aegypti e assistência a mães e crianças com microcefalia. A previsão de investimento inicial é de R$ 25 milhões.

Serão 15 milhões para estruturação de centros regionais de acompanhamento das crianças com microcefalia, R$ 5 milhões para compra de equipamentos e R$ 5 milhões para campanhas de publicidade para engajamento social.

Microcefalia e zika

Nesta segunda, o ministério da Saúde confirmou que existe relação entre a transmissão do zika vírus e o surto de microcefalia. "A confirmação do vírus em uma criança com má-formações confirmou a tese da relação entre zika e a microcefalia", disse Claudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.

Depois do aumento de investigação e divulgação de dados relativos ao zika, pesquisadores afirmaram que a forma de contágio do vírus não se daria somente pelo mosquito, podendo ser transmitido por meio de relação sexual, transfusão de sangue e transplante de órgãos, segundo o Instituto Evandro Chagas (IEC) de Belém.

Eduardo Anizelli/Folhapress
Aline, 15, com seu filho Guilherme de um mês, que nasceu com microcefalia na cidade de Vertentes (PE)

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