Número de mortes por febre amarela chega a 237 no Brasil

Do UOL, em São Paulo

O número de mortes por febre amarela no Brasil chega a, ao menos, 237 e já ultrapassa os óbitos registrados no mesmo período do ano passado, segundo o novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado nesta quinta-feira (1º).

Os dados se referem ao período de 1º de julho de 2017 a 28 de fevereiro de 2018 deste ano, quando 723 casos da doença foram confirmados em todo país. No período, chegaram a ser notificados 2.867 casos suspeitos (1.359 descartados e 785 em investigação). No ano passado (de julho de 2016 até 28 fevereiro de 2017), eram 576 casos e 178 mortes.

Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro são os Estados com maior número de mortes. Foram 103 óbitos para 314 casos confirmados em Minas, 95 mortes para 307 casos confirmados em São Paulo, e 38 óbitos em 96 casos confirmados no Rio de Janeiro. Em fevereiro, o Ministério da Saúde alertou que apesar das campanhas, a vacinação contra febre amarela tem baixa adesão.

Vale ressaltar que os dados do Ministério da Saúde apresentam uma pequena defasagem em relação ao balanço das Secretarias Estaduais da Saúde. No Rio de Janeiro, por exemplo, o órgão estadual diz já ter registrado 103 casos de febre amarela e 47 mortes. No Estado, um em cada quatro municípios tem a doença. 

O aumento no número de casos e óbitos relacionados à febre amarela está atrelado à chegada do vírus a áreas de maior população e não a um surto pior da doença. A incidência caiu de 7,1 casos a cada 100 mil habitantes para 2,2 a 100 mil/habitantes neste ano. 

Desde julho de 2017, casos de transmissão do vírus da febre amarela apareceram em áreas de grande contingente populacional e que não faziam parte da área de recomendação da vacina. A área de risco neste ano atinge 32,3 milhões de pessoas. Na sazonalidade passada, o surto atingiu uma população de 8 milhões de pessoas, muito menor que a atual. 

Paulo Whitaker/Reuters

Doença grave, vacina segura

Apesar de ser uma doença grave, as campanhas de vacinação contra a febre amarela estão longe de atingir a meta de imunizações. A vacina protege o indivíduo de ser contaminado pelo vírus que circula em mosquitos de áreas de mata e evita que a doença volte a ter transmissão urbana, o que não acontece desde 1942.

Cerca de metade das pessoas que precisam ser vacinadas em cidades de São Paulo e Rio de Janeiro ainda não tomou a dose. A preocupação inicial com a doença parece ter sido substituída pelo receio de reações adversas à vacina. A queda na procura pela imunização preocupa especialistas, que insistem no alerta: quando não há contraindicação, é muito mais perigoso ser contaminado pela doença do que a vacinação.

Quem deve tomar a vacina?

vacinação fracionada é recomendada para pessoas a partir dos dois anos de idade. Quem tomar a vacina dessa forma deverá retornar aos serviços de saúde após oito anos para receber uma dose de reforço.

dose fracionada não é indicada para crianças de 9 meses a menores de dois anos por não haver estudos sobre a sua eficácia para esse público. Ela também não é indicada para pessoas com condições clínicas especiais (como vivendo com HIV ou em período final de quimioterapia, por exemplo) e gestantes.

Viajantes internacionais, que devem apresentar comprovante de viagem no ato da vacinação, também precisam tomar a dose integral. Durante a campanha de vacinação, todos esses públicos receberão a dose normal.

vacina contra a febre amarela é contraindicada para pacientes em tratamento de câncer, pessoas com imunossupressão e pessoas com reação alérgica grave à proteína do ovo. A vacinação também impede a doação de sangue por um período de quatro semanas.

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