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Primeira criança venezuelana morre com suspeita de sarampo em Roraima

Fronteira entre Brasil e Venezuela, em Paracaima (RR), por onde entrou a família da criança com sarampo - Bruno Santos/ Folhapress
Fronteira entre Brasil e Venezuela, em Paracaima (RR), por onde entrou a família da criança com sarampo Imagem: Bruno Santos/ Folhapress

Talita Marchao

Do UOL, em Pacaraima (RR)

02/03/2018 14h36Atualizada em 31/05/2020 02h43

Uma criança venezuelana de três anos morreu com suspeita de sarampo em Roraima. A informação foi confirmada ao UOL pela Secretaria de Saúde de Pacaraima (RR) nesta sexta-feira (2). Se confirmado, este é o primeiro caso de morte da doença registrado no Brasil, que tinha erradicado a doença em julho de 2015.

Em um primeiro momento, autoridades da cidade confirmaram que a menina teria a doença. Posteriormente, autoridades do governo do Estado informaram que o a confirmação da doença dependeria de um exame realizado pela Fiocruz. Amostras foram enviadas para a instituição.

Na Venezuela, no entanto, a doença virou epidemia em 2016 em razão dos problemas no sistema de saúde provocado pela crise de abastecimento. Com a chegada de venezuelanos no Brasil, a doença voltou ao território brasileiro. Somente neste ano, já foram registrados 13 casos suspeitos da doença em Roraima.

Porta-voz da Vigilância de Saúde, ligada à secretaria, Antônio Marques informou em entrevista que a família, composta por pelos pais e quatro crianças - dois meninos e duas meninas - entraram no país no último sábado (24). "Chegaram no Brasil, pegaram um táxi, vieram para Santa Helena e já desceram na Casa de Passagem, um abrigo, no final da tarde. As duas meninas já estavam com febre."

Assim que se instalaram no abrigo, o casal se dirigiu a para o hospital estadual Délio de Oliveira Tupinambá "Por volta das 18h10 eles foram atendidos e tiveram alta." No domingo, ficaram na Casa de Passagem, mas na segunda voltaram para o hospital por volta das 19h, quando receberam alta novamente. "As meninas ainda não tinham as manifestações."

Na segunda-feira (5), os dois meninos, Ariel, 7, e Gabriel, 13, também foram levados para o hospital. "Foram atendidos e depois dispensados. Passou terça, na quarta deram entrada no postinho da prefeitura. A médica suspeitou de sarampo, fez uma notificação e colocou as crianças em um isolamento improvisado."

Iris não resistiu e morreu. A secretaria busca agora todas as pessoas que, nos últimos cinco dias, tiveram contato com a família no abrigo e no hospital. "Hoje iniciamos a imunização tanto de brasileiros quanto de venezuelanos."

Brasil

O sarampo foi registrado no Brasil pela última vez em julho de 2015. Na Venezuela, no entanto, a doença virou epidemia em 2016 em razão dos problemas no sistema de saúde provocado pela crise de abastecimento.

Desde então, o sarampo e outras doenças já erradicadas, como a difteria, voltaram. Para fugir da crise e das doenças, venezuelanos tentam chegar ao Brasil por Roraima. Ao todo, 40 mil moram no Estado. Na capital, Boa Vista, 300 imigrantes em abrigos já foram imunizados com uma vacina tripla, que também protege contra a rubéola e caxumba.

Para evitar o retorno do sarampo, o Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde de Roraima lançaram uma campanha de vacinação prevista para começar em 10 de março e que deve seguir até o dia 10 de abril. A vacinação ocorrerá de casa em casa, em abrigos, unidades de saúde e postos na fronteira da Venezuela com a cidade de Paracaima.