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Coronavírus: Mortes podem ser 60% maiores que o número oficial, diz jornal

Um judeu ortodoxo e duas crianças usam máscaras protetoras enquanto conversam com um profissional de saúde do lado de fora de uma unidade de atendimento de urgência da MedRite, oferecendo testes para anticorpos contra a doença de coronavírus (COVID-19) no subúrbio de Spring Valley, Nova York - MIKE SEGAR/REUTERS
Um judeu ortodoxo e duas crianças usam máscaras protetoras enquanto conversam com um profissional de saúde do lado de fora de uma unidade de atendimento de urgência da MedRite, oferecendo testes para anticorpos contra a doença de coronavírus (COVID-19) no subúrbio de Spring Valley, Nova York Imagem: MIKE SEGAR/REUTERS

Do UOL, em São Paulo

27/04/2020 09h44

Um levantamento feito pelo jornal inglês The Financial Times indica que o número de mortes pelo novo coronavírus pode ser 60% maior do que o que é divulgado oficialmente.

O diário analisou dados de óbitos devido à pandemia em 14 países e aponta que podem ter havido 122 mil mortes pela covid-19 neles, bem acima do número de 77 mil trabalhos, estatística com que se trabalha atualmente nestas localidades.

Segundo o FT, se o mesmo nível de subnotificação dos países analisados acontece em nível global, as mortes podem chegar a 318 mil - contra os 200 mil anunciados sábado (25) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre os países analisados estão Áustria, Bélgica, Dinamarca, Reino Unido, França, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça.

Para calcular as mortes que não vem sendo notificadas, fez-se uma comparação entre as mortes de março e abril de 2020 com as de 2015 a 2019 nessas localidades. O resultado foi um aumento em 50% no número de nortes.

As mortes oficiais para cada país dependem de diversos fatores para serem considerados confiáveis, entre eles a quantidade de testes feitos. Países como a China chegaram a revisar seus números no meio da pandemia.

Gráficos do Financial Times mostram picos de mortes nos meses analisados. Na Itália, observa-se 90% a mais de mortes do que em anos anteriores. Espanha, França e Holanda subiram 51%, 34%, e 42%, respectivamente. No total combinado entre todos os países do levantamento, são 49% mais mortes neste ano do que nos anteriores.

Ouvido pela reportagem, o professor de Cambridge David Spiegelhalter afirmou que vê os números do Reino Unido "muito abaixo" dos reais, por só contarem mortes em hospitais.

"Há muitas questões com as mortes que vemos que não mostram covid-19 no certificado [de óbito], mas que você vê que são inevitavelmente ligadas a essa epidemia", disse ele. A reportagem também chama atenção para o fato de mortes em casa, em clínicas de repouso e outros lugares fora de hospitais muitas vezes não entram nas estatísticas.

O Brasil não é citado, mas uma das preocupações são com países mais pobres e com sistemas de saúde mais frágeis, em que a magnitude da pandemia pode ser ainda maior.

No Equador, foram reportadas 245 mortes. No entanto, os números mostram que há 10.200 mortes a mais do que em anos anteriores (347% a mais). Os números são chocantes em lugares como Bergamo (463% a mais), Nova York (crescimento de 299%) e Madrid (161% a mais).

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