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Coronavírus

Anvisa libera, mas teste de covid-19 ainda não 'pegou' nas farmácias

Redes responsáveis por metade das farmácias no país afirmam que ainda não oferecem o teste - Lucas BorgesbTeixeira
Redes responsáveis por metade das farmácias no país afirmam que ainda não oferecem o teste Imagem: Lucas BorgesbTeixeira

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/05/2020 04h01

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou há mais de uma semana, mas a realização de testes de covid-19 em farmácias ainda não "pegou", e a expectativa do setor é que isso não aconteça antes da segunda quinzena de maio.

Em São Paulo, nenhuma das oito farmácias visitadas pelo UOL nesta terça (5) tinham o serviço, e balconistas afirmam que a procura ainda não aumentou. A falta de oferecimento dos testes verificada localmente foi confirmada pelos responsáveis das grandes redes em notas à reportagem.

Eles dizem ainda estar em fase de avaliação ou implementação.

Enquanto isso, nos balcões, a maioria dos atendentes nem sequer sabia da possibilidade.

"Já está liberado? Achei que era só em hospitais", questionou, surpresa, a atendente de uma farmácia popular próxima ao Hospital das Clínicas, na zona oeste de São Paulo.

Em uma unidade de uma farmácia independente, a gerente dizia que não sabia da regulamentação, mas que, mesmo liberado, o produto estava "em falta".

Preço estimado

Quando chegar às prateleiras, o preço dos testes deve variar de um estabelecimento para o outro. Em Fortaleza, a Pague Menos cobra R$ 193 pelo procedimento no drive thru das farmácias e R$ 273 caso o paciente, por necessidade, solicite em domicílio.

Os resultados saem em 30 minutos e são compartilhados no e-mail do paciente. Procedimentos feitos em casa também têm supervisão de farmacêuticos e precisam ser agendados.

Os testes oferecidos identificam anticorpos contra o coronavírus no sangue do paciente. Uma gotinha basta. O exame avalia se a pessoa já teve contato com o coronavírus.

É preciso ter farmacêutico

Na última quinta (30), dois dias depois da liberação da Anvisa, a Abrafarma (Associação Brasileira das Farmácias) divulgou o protocolo com as recomendações para aplicação dos 17 tipos de testes IgG/IgM Covid-19 aprovados.

Nas farmácias, eles só podem ser feitos sob a responsabilidade de um farmacêutico.

Segundo o protocolo da Abrafarma, com base nas recomendações do Ministério da Saúde, só devem procurar pelo teste pacientes com suspeita de Covid-19 há pelo menos oito dias, trabalhadores de saúde e pessoas economicamente ativas afastados do trabalho por suspeita da doença e pessoas assintomáticas que tiveram exposição a risco de contaminação pelo vírus há pelo menos 20 dias.

Atendentes dizem que procura não cresceu

Apesar da liberação e da escalada de infecções, atendentes das farmácias visitadas pela reportagem afirmam que não houve aumento ligado à autorização da Anvisa.

"Sempre aparece alguém perguntando se a gente faz. Nós indicamos posto de saúde ou hospital. Mas isso é desde o começo [da epidemia], não teve aumento [nesta semana]", afirmou a funcionária de uma unidade da Drogasil em Pinheiros, na Zona Oeste.

"Acho que isso ainda não foi muito divulgado. Tem aquela coisa da população não nos ver como prestadores de serviço, apenas vendedores. Com a vacina é a mesma coisa", declarou Jorge Augusto, gerente de uma farmácia independente nos Jardins.

Massificação deve ocorrer a partir da segunda quinzena

À reportagem, a Abrafarma disse que estima que a massificação dos testes deverá ocorrer a partir da segunda quinzena de maio.

Segundo a associação, o motivo, confirmado por alguns farmacêuticos, é que os testes são, em sua grande maioria, importados, vindos da Ásia. No momento, não há disponibilidade em massa no Brasil.

A reportagem teve a confirmação de que o serviço já sendo prestado em poucas unidades de Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba e Fortaleza, mas a associação diz não conseguir estimar quantas cidades ou unidades pelo país já o fazem.

Grandes redes estão em fase de análise e implementação

Os grupos Raia Drogasil, Drogaria São Paulo e Pague Menos representam cerca da metade das mais de 8 mil farmácias no estado de São Paulo. Nenhum deles fez ainda a implementação geral dos testes.

A cearense Pague Menos foi pioneira no serviço, com implementação em duas unidades em Fortaleza. O serviço é feito no modo drive thru, sem que o cliente saia do carro, por meio de agendamento prévio. A empresa ainda não tem previsão de expansão para outras cidades.

A rede RaiaDrogasil afirmou que ainda "estuda o tema" e está "em busca de fornecedores que tenham os testes mais precisos do mercado". Também não há previsão de implementação.

A Drogaria São Paulo não respondeu até o fechamento da matéria, mas a única unidade da rede visitada pela reportagem não oferecia os testes nem dava previsão de chegada.

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