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Pandemia antecipa mortes por síndrome respiratória, dizem epidemiologistas

Do UOL, em São Paulo

06/05/2020 13h44Atualizada em 06/05/2020 14h27

Resumo da notícia

  • Segundo especialista, pico de mortes por causas respiratórias, que normalmente é em junho e julho, já era observado em março
  • Isso é observável especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Fortaleza e Recife
  • Em todo o país, houve um aumento totalmente fora do esperado em termos de mortalidade

Os epidemiologistas que participaram do UOL Debate de hoje explicaram que a pandemia do coronavírus antecipou as mortes que acontecem por causas respiratórias no país todos os anos.

O epidemiologista da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Lotufo disse que na capital paulista as mortes por causas respiratórias historicamente têm aumento entre maio e agosto, com pico em junho e julho, mas que, neste ano, elas aumentaram mais cedo, entre março e abril.

Esse período coincide com a chegada da pandemia à cidade. "Quando calcula a média, vemos que já na semana epidemiológica 13 (de 22 a 28 de março) São Paulo já estava com um número acima e vai aumentando", disse Lotufo.

O médico ainda garante que outras cidades como Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife viveram um fenômeno parecido pouco depois que a capital paulista. "No Rio, aconteceu na semana 16, em Recife também, em Manaus temos um pico imenso, uma coisa muito grande", explica.

"Houve um aumento fora do esperado de mortalidade. Ou isso é decorrente da covid-19, ou estamos em outra epidemia. A causa é a covid-19, o número de mortes como um todo é o determinante maior."

Por conta disso, também epidemiologista e reitor da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), Pedro Hallal, acredita que o pico de mortes em São Paulo está prestes a diminuir.

"Em São Paulo, a tendência é que dentro de no máximo 10 dias o número de óbitos comece a descer."

"Não existe dúvida a respeito do aumento no número de mortes, e o grande epidemiologista de São Paulo foi o coveiro. Houve um aumento totalmente fora do esperado em termos de mortalidade", conclui Lotufo.

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