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Em reabertura, Rio só tem 4% dos leitos em UTI disponíveis na rede pública

25.mai.2020 - O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos) - Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo
25.mai.2020 - O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos) Imagem: Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo

Igor Mello

Do UOL, no Rio

02/06/2020 04h00

O anúncio da flexibilização gradual do isolamento social no Rio, feito ontem pelo prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), ocorre com apenas 4,4% dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) disponíveis nos hospitais públicos da capital, segundo mostram dados da Central Estadual de Regulação obtidos pelo UOL.

Nesta segunda-feira (1º), apenas 70 dos 1.576 leitos de UTI existentes na cidade estavam livres. Por outro lado, 502 desses leitos —que poderiam estar sendo usados por pacientes em estado grave— estão indisponíveis por falta de profissionais, insumos ou equipamentos. Os dados indicam que a rede de saúde pública do Rio continua próxima de um colapso —estado em que não há leitos disponíveis para atender novos pacientes.

Em entrevista ontem, Crivella disse que os efeitos do isolamento social —apontado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como a principal estratégia de combate à pandemia disponível— não são mais vantajosos para a cidade.

"O afastamento social, na medida que vai se prolongando, vai causando efeitos piores, que não compensam as suas vantagens. Há aumento de suicídios, depressão e alcoolismo, além de mortes por outras comorbidades", argumentou o prefeito.

O superintendente da Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro, Flávio Graça, afirmou que o processo de reabertura levou em conta a disponibilidade de vagas também na rede privada.

"Foi levada em consideração a capacidade de absorção de novos casos pelo sistema de saúde. Isso inclui o percentual de ocupação dos leitos das UTIs destinadas a adultos na rede do SUS e os leitos de UTI na rede privada do município", disse.

A situação também é grave quando é analisada a disponibilidade de leitos em geral. Apenas 1.040 das 8.368 vagas existentes na rede estão disponíveis para novos pacientes. Há 2.656 leitos fechados por falta de recursos humanos ou materiais.

Principal unidade de referência para pacientes com coronavírus, o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, zona norte do Rio, tem apenas três leitos vagos. A unidade tem 113 de suas 381 vagas fechadas por falta de recursos.

A inauguração de hospitais de quatro hospitais de campanha —três do governo do estado e um da prefeitura— não melhorou de maneira significativa a situação. Os dados mostram que apenas 658 dos 1.300 leitos previstos nessas unidades estão funcionando.

De acordo com boletim da Secretaria de Estado de Saúde do Rio divulgado ontem, o estado registra 54.530 casos confirmados e 5.462 mortes por coronavírus. Há ainda 1.288 óbitos em investigação. A capital tem o maior o número de infectados pela doença, com 30.014 casos —ou 55% do total. Quanto às mortes, a liderança também é da cidade do Rio, com 3.671 registros —ou 67,2% do total.

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