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Sul fez 'distanciamento na hora certa' contra o coronavírus, diz professor

Coronavírus: de máscara, mulheres passeiam no centro de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (RS) - Omar de Oliveira/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Coronavírus: de máscara, mulheres passeiam no centro de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (RS) Imagem: Omar de Oliveira/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

02/07/2020 19h38

A região Sul do Brasil fez distanciamento social na hora certa, no começo da pandemia do coronavírus, e por isso apresentou dados mais baixos de anticorpos na população, segundo o professor Pedro Hallal, reitor da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), que atuou em parceria com o Ministério da Saúde e o Ibope em um estudo sobre a covid-19 no Brasil.

Questionado sobre a detecção de anticorpos em apenas 0,4% da população sulista na última fase da pesquisa, enquanto o Norte, por exemplo, teve 8%, Hallal disse que o comportamento da pandemia se desenvolveu de maneira desigual também em outros países, e que a reação inicial do Sul acabou atrasando a chegada do coronavírus.

"Em todos os lugares do mundo, e o Brasil acabou aprendendo com os outros lugares porque a epidemia demorou mais para chegar até aqui, teve regiões onde a epidemia foi muito mais forte. O norte da Itália foi muito mais forte que o sul da Itália, a região de Wuhan foi muito mais forte que no restante da China. A Espanha talvez tenha sido o primeiro caso um pouco mais espalhado. No Brasil, a minha percepção o que aconteceu é que o Sul fez distanciamento na hora certa. O distanciamento social no Sul começou cedo e isso fez com que o vírus circulasse menos", disse o professor.

Hallal afirmou que é um processo natural o aumento de casos que está sendo observado agora na região."O que está acontecendo agora no Sul é uma tendência de crescimento, porque não tem como o vírus basicamente não chegar em uma região. Ele chegou agora e vai numa tendência de crescimento", disse. "O Sul, no começo da epidemia, conseguiu aderir muito às medidas de distanciamento, essa é a minha percepção", acrescentou.

Ontem, o Ministério da Saúde divulgou o boletim da semana epidemiológica que compreende o período entre os dias 21 e 27 de junho, e o Sul teve os maiores índices de aumento de novos casos (47%) e óbitos (37%) provocados pela covid-19 em relação à semana anterior.

Metodologia

O estudo foi realizado em três etapas, com apoio do Ibope Inteligência, que foi a campo para realizar a coleta de dados com testes rápidos (IgM e/ou IgG) em 133 cidades chamadas "sentinelas", que são os maiores municípios das divisões demográficas do país seguindo critérios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"A possibilidade de falsos positivos são praticamente nulas, mas em torno de 15% das pessoas infectadas ele pode não conseguir detectar", afirmou Hallal.

Os participantes foram escolhidos de maneira aleatória por sorteio. Foram testadas 89.397 pessoas nas três fases da pesquisa. A primeira ocorreu entre 14 e 21 de maio. A segunda foi entre 4 e 7 de junho. E a última, entre 21 e 24 de junho.

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