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Conib: Declarações de Nise Yamaguchi "minimizam horrores do nazismo"

Nise Yamaguchi durante participação do UOL Entrevista - Reprodução/MOV
Nise Yamaguchi durante participação do UOL Entrevista Imagem: Reprodução/MOV

Igor Mello

Do UOL, no Rio

12/07/2020 20h48

A Conib (Confederação Israelita do Brasil) repudiou, por meio de uma nota oficial, as declarações feitas pela médica Nise Yamaguchi comparando o medo que a sociedade tem do novo coronavírus com a submissão de judeus ao exército da Alemanha Nazista. Segundo a instituição, a fala é "deplorável".

Defensora do uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes em fase inicial de infecção pela covid-19, Nise Yamaguchi afirmou, em entrevista à TV Brasil, que a imprensa propaga medo ao dizer que não há cura para a doença —o consenso científico é que o tratamento com a hidroxicloroquina não é eficaz para combater o vírus. Ela afirmou que o medo "paralisa" e transforma as pessoas "em massa de manobra", contexto no qual comparou os brasileiros aos judeus vítimas do nazismo.

"Você acha que alguns poucos militares nazistas conseguiram controlar aquela massa de rebanho de judeus famintos se não os submetessem diariamente a humilhações?", questionou. Durante a Segunda Guerra Mundial, o regime nazista mobilizou um enorme aparato militar e logístico para promover o extermínio de judeus, homossexuais, ciganos e outras minorias. Para isso, montou campos de concentração e extermínio.

Após as declarações, Nise Yamaguchi foi afastada de suas funções no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A instituição não descarta sua demissão. Após a repercussão negativa, a médica pediu desculpas "por expressões outras e interpretações errôneas sobre assuntos sensíveis ao grande sofrimento judaico que envolveram seu nome".

De acordo com a Enciclopédia do Holocausto mantida pelo United States Holocaust Memorial Museum, apenas no complexo de Auchwitz, no sul da Polônia, aproximadamente 1 milhão de judeus foram mortos, vítimas de câmaras de gás ou das más condições de vida que provocavam fome e doenças. A instituição estima que mais de 6 milhões de judeus foram assassinados pelo regime de Adolf Hitler.

De acordo com a Conib, "são deploráveis as declarações da médica Nise Yamaguchi comparando a tragédia do Holocausto, que causou a morte de 6 milhões de judeus inocentes, além de outras minorias, com a atual pandemia do coronavírus. Comparações desse tipo não têm qualquer fundamento, minimizam os horrores do nazismo e ofendem a memória das vítimas, dos sobreviventes e de suas famílias".

A Confederação Israelita do Brasil ainda criticou o que chamou de "politização da medicina". Nise Yamaguchi, oncologista e imunologista, é apoiadora do presidente Jair Bolsonaro e chegou a ser cogitada para assumir o Ministério da Saúde após a demissão de Nelson Teich.

"A politização da medicina só contribui para a disseminação desta pandemia. Nosso total apoio ao Hospital Israelita Albert Einstein, referência médico-hospitalar de nosso país e orgulho da comunidade judaica", diz a nota da Conib.

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