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Bolsonaro volta a atacar Doria por vacina: "se intitula médico do Brasil"

Do UOL, em São Paulo

19/10/2020 10h38Atualizada em 19/10/2020 12h19

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a afirmar hoje que a vacina contra a covid-19 não será obrigatória e, sem mencioná-lo diretamente, criticou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ao dizer que " tem um governador que está se intitulando o médico do Brasil".

Na última sexta-feira (16), Doria disse que a vacinação contra a covid-19 será obrigatória em todo o estado se for aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No mesmo dia, Bolsonaro disse nas redes sociais que o ministério da Saúde é quem irá oferecer o imunizante, mas "sem impor ou tornar a vacinação obrigatória".

Hoje, em conversa com seus apoiadores transmitida pelo canal "Foco do Brasil", o presidente voltou a declarar que a lei deixa claro que o assunto compete ao ministério da Saúde.

Meu ministro já disse claramente que não será obrigatória essa vacina e ponto final. Tem um governador aí que está se intitulando o médico do Brasil dizendo que ela será obrigatória. Repito que não será
presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

O mandatário acrescentou que a vacina, depois de aprovada pelos órgãos competentes, será oferecida aos brasileiros de forma gratuita.

Vacina chinesa

Indagado por um apoiador sobre o imunizante, Bolsonaro disse que a vacina tem que ter comprovação científica e criticou a China, novamente sem fazer uma menção direta — a CoronaVac, apoiada pelo governo de São Paulo, é uma vacina desenvolvida e testada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Já o governo federal tem apostado suas fichas na vacina desenvolvida pela universidade de Oxford. Ambas estão na fase 3 de testes, em que há uma vacinação em massa de voluntários.

"O país que está oferecendo essa vacina tem que primeiro vacinar em massa os seus, depois oferecer para outros países. Assim muita coisa é. Até na área militar, você só consegue vender um produto bélico para outro país depois que você usar no seu território e aquilo mostrar sua eficácia", disse.

Embora sustente que a vacina tem que ter comprovação científica, o presidente defende há meses o uso da hidroxicloroquina contra a covid-19, que, segundo estudos, não é eficaz. Na semana passada, a OMS (Organização Mundial da Saúde) publicou um estudo em que afirma que os remédios remdesivir e cloroquina/hidroxicloroquina não funcionam no tratamento contra o coronavírus.

Vacina "politizada"

Na semana passada, Doria voltou a acusar Bolsonaro de "politizar" a vacina. Os ataques vêm diante da ameaça da falta de acordo entre o governo paulista e o ministério da Saúde para que a CoronaVac possa ser distribuída em outros estados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A definição, segundo Doria, se dará em uma reunião na quarta-feira (21).

O governo de São Paulo anuncia hoje que a CoronaVac se mostrou segura também em testes com 9 mil voluntários brasileiros, reafirmando os resultados de pesquisa anterior com 50 mil participantes chineses. Os dados de eficácia, porém, devem ser divulgados somente entre novembro e dezembro, o que deve atrasar a previsão do governador de iniciar a imunização ainda neste ano.

* Com informações de Estadão Conteúdo

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