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Coronavírus

Uip alerta para aumento de casos: 'população está cansada, o vírus não'

Infectologista David Uip faz parte do Centro de Contingência de Coronavírus em São Paulo - MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
Infectologista David Uip faz parte do Centro de Contingência de Coronavírus em São Paulo Imagem: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

18/11/2020 09h03Atualizada em 18/11/2020 09h57

O médico infectologista e membro do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, David Uip, fez um alerta hoje sobre o aumento de casos de infecções pelo novo coronavirus no Brasil. Em entrevista à GloboNews, Uip disse que a população está cansada, mas o vírus não.

O cansaço venceu o medo, e a população está cansada e nós entendemos. O vírus não, está ativo como sempre esteve. E isso é causa de grande preocupação
David Uip, infectologista, à GloboNews

Uip ainda destacou especificamente o aumento de 18% no número de internações no estado de São Paulo. Na capital paulista, o site da Fundação Seade registra um aumento de 29,5% nos novos casos de covid-19 na comparação entre os primeiros 17 dias de novembro com o mesmo intervalo de tempo de outubro.

Para justificar o aumento, David Uip apresentou uma avaliação semelhante à do coordenador executivo do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo, João Gabbardo dos Reis: a de que houve relaxamento, especialmente nas classes A e B.

"Primeiro foi o reconhecimento da abertura. As pessoas cansaram, foram às ruas, às festas. Primeiro os jovens se contaminaram e depois pais e avós. Também estamos vendo pessoas de meia-idade fazendo jantares, festas. Eu ouvi uma história de uma família de 20 pessoas que foram andar de barco por dois dias, e 19 voltaram contaminadas. Infelizmente há isso", disse Uip, que no começo da pandemia ocupou a chefia do centro de contingência.

Estamos observando especialmente nas classes A e B, mas seguramente vai ocorrer na população de outras faixas. Então há este alerta para que as pessoas voltem a ter o compromisso de distanciamento, álcool em gel, uso de máscaras porque os números são indiscutíveis
David Uip

Para David Uip, não se trata de uma segunda onda, uma vez que os números não chegaram a patamares muito baixos. "Na minha opinião, não saímos da primeira onda. Em São Paulo os dados mostram que a gente teve uma diminuição no número de casos e mortes, mas não ao nível que ocorreu em outros países. Caiu, mas nem tanto, e agora recrudesce", disse.

Reunião do centro de contingência

Uip ainda explicou que, na reunião do centro de contingência realizada ontem, o grupo de médicos sugeriu ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e ao secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, que a estrutura de leitos específicos para o tratamento da covid-19 não seja desmobilizada.

"Uma das sugestões é que nós não mobilizemos o descontingenciamento dos hospitais, que não paremos de pensar que teremos que usar leitos. E ao mesmo tempo sugerimos que já anunciem ao Ministério da Saúde que nós precisaremos continuar recebendo o financiamento para estes eleitos, especialmente leitos UTI/Covid", disse.

"Tivemos reunião de 2 horas justamente com o objetivo de avaliar os leitos e não desmobilizar os leitos que estão disponíveis tanto para os estados como municípios", completou.

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