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Apesar de ordem de Bolsonaro, governo mantém intenção de compra do Butantan

Bolsonaro chegou a desautorizar Pazuello após o anúncio do acordo com o Butantan, mas o acerto foi mantido - ADRIANO MACHADO
Bolsonaro chegou a desautorizar Pazuello após o anúncio do acordo com o Butantan, mas o acerto foi mantido Imagem: ADRIANO MACHADO

Guilherme Mazieiro e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

16/12/2020 13h04Atualizada em 16/12/2020 13h20

Apesar de uma ordem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para cancelar a intenção de compra de 46 milhões de doses de vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, o governo federal manteve o acordo com o governo João Doria (PSDB). A confirmação foi dada pelo Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em entrevista a jornalistas, e ao UOL pelo secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

"Cada modelo de compra teve um caminho. Com a Fiocruz, usamos transferência de tecnologia. Com Butantan, sinalizamos compra. Só posso comprar o que é registrado e incorporado no SUS. Comprar que digo é efetivar pagamento. O que botei é o compromisso de comprar. Estamos trabalhando diretamente com Butantan, que é grande fornecedor de vacinas do ministério e é sério", disse Pazuello.

"Trabalhamos com reforma do parque fabril do Butantan. Trabalhamos com fase 3 na Fiocruz. E estamos torcendo para que tudo dê certo e possamos comprar toda produção que se fizer necessário para incorporar ao SUS e fazer vacinação", continuou Pazuello.

Bolsonaro desautorizou Pazuello em outubro

Em outubro, o presidente disse que mandou cancelar um ofício sobre o acordo de intenção de comprar 46 milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pelo Butantan.

"Nada será despendido agora para comprarmos uma vacina chinesa que eu desconheço, mas parece que nenhum país do mundo está interessado nela", disse Bolsonaro em outubro.

À época, Bolsonaro sofria pressão de apoiadores que reclamam de uma vacina chinesa e alegavam que o vírus era "chinês" e de responsabilidade do governo da China.

Hoje (16), em evento para lançar o plano de imunização do coronavírus, o presidente mudou o tom e falou em união com os governadores. Bolsonaro disse que se alguém "extrapolou ou até exagerou, foi no afã de buscar solução", disse Bolsonaro.

O programa apresentado pelo governo incluiu a vacina desenvolvida pelo governo paulista. Doria justificou que é seu aniversário de 63 anos e não foi ao evento. Ele comunicou que ficará com a família e despachará por São Paulo.

Vacina do Butantan

Ao UOL, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse que é bem recebido o discurso de união feito por Bolsonaro. Ele avalia que a inclusão da CoronaVac ao plano democratiza o acesso à vacina.

"Isso aproxima, unifica, democratiza a vacina para todos os brasileiros. E este é o objetivo do estado de São Paulo e do Instituto Butantan, de permitir que todos os brasileiros tenham acesso à CoronaVac assim como as outras vacinas", disse.

Ele esteve no evento para representar o estado de São Paulo. Após a cerimônia, se encontrou com Pazuello em privado para cumprimentá-lo pela ação.

"As falas [do presidente] foram muito positivas e incorporar a vacina do Butantan ao plano nacional de imunização é muito importante, por se tratar da necessidade de vacinas e não só de uma vacina. E de sabermos o quanto é uma vacina segura", disse o secretário.

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