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Frente de prefeitos reforça que há seringas, mas critica fala de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro havia dito que a compra de seringas ficaria suspensa "até que os preços voltem à normalidade" - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro havia dito que a compra de seringas ficaria suspensa "até que os preços voltem à normalidade" Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

06/01/2021 10h19Atualizada em 06/01/2021 10h23

O presidente da FNP (Frente Nacional de Prefeitos), Jonas Donizette (PSB) afirmou que fala de Jair Bolsonaro (sem partido) de que há estados e municípios têm estoques de seringas para vacinação contra o covid-19 não pode ser generalizada. Donizette destacou que há estoques em boa parte dos municípios, mas há cidades que precisam de apoio do Ministério da Saúde.

Na manhã desta quarta-feira (6), Bolsonaro afirmou que a compra de seringas está suspensa "até que os preços voltem à normalidade". Na semana passada, o governo fracassou na primeira tentativa de adquirir seringas e agulhas para imunização.

"Na verdade, [a fala] não é totalmente errada. Mas não dá para o presidente generalizar. O Brasil tem muitas desigualdades, o Ministério da Saúde precisaria fazer um questionário mais fino entre os municípios e aqueles que já tem [estoque], tudo bem. Mas aqueles que não tem, precisam de um apoio. Uma afirmação dessa, de forma genérica, pode não ser verdadeira", afirmou Jonas Donizette ao UOL.

A FNP representa 406 municípios com mais de 80 mil habitantes, incluindo as capitais. Esses municípios têm cerca de 61% dos habitantes do país.

O secretário-executivo do Conasems (Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde), Mauro Junqueira, afirmou que há estoques para vacinação em grupos específicos e lembrou que não haverá vacinas disponíveis para toda população em curto prazo.

"É um problema que está no radar, mas não nos preocupa neste momento porque não temos doses para aplicar de imediato e que vá comprometer os estoques que nós temos. Estamos acompanhando o processo, atentos, mas não é um problema que nos afeta diretamente. Não vamos ter vacinas em um montante expressivo em dois, três meses", disse Junqueira. Ele considerou que os municípios têm estoque de seringas e agulhas porque trabalham com campanhas anuais de vacinação.

"Obviamente não vamos ter 210 milhões de doses de vacina para amanhã, daqui um mês ou seis meses. Mas à medida que as vacinas sejam disponibilizadas, os próprios municípios e o ministério vão fazer suas compras", disse Junqueira.

O Brasil voltou a registrar mais de mil mortes por dia pela covid-19 nesta terça-feira (5). Ontem foram 1.186 mortes, com isso o total chegou a 197.777 óbitos desde o início da pandemia. Os infectados somam 7,8 milhões. Os dados foram divulgados pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte.

Até esta quarta-feira, a Anvisa não recebeu pedido de nenhum laboratório para autorização de uso emergencial (para grupos de risco) ou registro (para vacinação em massa) de vacinas. No mundo, 48 países já imunizam suas populações. O governo Jair Bolsonaro apresentou em dezembro um plano de vacinação, mas sem data para começar a aplicar doses.

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