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AM vai transferir pacientes a outros estados e decretar toque de recolher

Do UOL, em São Paulo

14/01/2021 15h24Atualizada em 14/01/2021 20h24

À beira de um colapso na saúde, o estado do Amazonas vai transferir pacientes de covid-19 a outros estados, além de decretar toque de recolher a partir das 19h até as 6h. As medidas foram anunciadas hoje pelo governador Wilson Lima (PSC) e têm como objetivo conter a disseminação do coronavírus no estado.

O primeiro a receber pacientes do Amazonas será Goiás, com dois hospitais: o HUGO (Hospital Estadual de Urgências de Goiânia Dr. Valdemiro Cruz) e o HGG (Hospital Estadual Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi). Depois, será a vez de Piauí, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e Distrito Federal.

A data e a ordem dessas transferências ainda não foram divulgadas pelo governo amazonense.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), também afirmou que colocará leitos à disposição dos pacientes do Amazonas. Pelo Twitter, Casagrande informou que o estado disponibilizará 30 leitos de UTI para a covid-19 e que tem condições de receber os pacientes já nesta madrugada.

Segundo o secretário de Atenção Especializada em Saúde do Ministério da Saúde, coronel Franco Duarte, os pacientes a serem transferidos têm estado clínico considerado moderado. Eles ainda dependem de oxigênio, mas podem ser aerotransportados com "toda segurança".

"O paciente do Amazonas que subir na aeronave terá toda a segurança e assistência, com cobertura de assistentes psicossociais, para que não haja falha nenhuma. Todos [os profissionais] voltados para o paciente, para que ele chegue no destino com toda segurança e acolhimento que nosso doente tem que ter", explicou o secretário durante coletiva.

Franco Duarte ainda afirmou que a escolha pelos destinos foi feita com base em estudos, feitos "madrugada adentro", de maneira a prestar assistência aos pacientes do Amazonas sem sobrecarregar o sistema de saúde de outros estados. A decisão, segundo ele, teve critérios "clínicos e objetivos".

A bordo do avião, ainda de acordo com o secretário, estarão duas equipes formadas por médicos e enfermeiros, com 20 profissionais. A escolta dos pacientes será feita pelo Ministério da Defesa, e o retorno ao Amazonas deve ser feito em aeronaves da Gol.

Novas restrições

Além do toque de recolher, o governador Wilson Lima anunciou a suspensão do transporte coletivo de passageiros em rodovias e rios, estando permitido apenas o transporte de carga e insumos essenciais à vida. O fechamento das atividades vale até para farmácias, que deverão funcionar em regime de delivery.

A circulação de pessoas que trabalham em áreas estratégicas, como segurança, saúde e imprensa, está permitida. Lima não especificou, porém, quando o toque de recolher terá início e por quanto tempo ficará em vigor.

Além disso, também foi anunciado um grupo de apoio aos pacientes transferidos e seus familiares.

"Nós estamos numa operação de guerra", disse o governador. "O estado do Amazonas, que é referência para o mundo, todo mundo volta seus olhares para cá quando há um problema relacionado à preservação do meio ambiente... Está clamando, está pedindo socorro. [Com] Uma floresta que produz uma quantidade significativa de oxigênio... Hoje o nosso povo está precisando desse oxigênio."

Lima ainda fez um apelo para que a população colabore e respeite as novas restrições. "É preciso que cada um assuma sua responsabilidade neste momento", pediu.

A gente está trabalhando para garantir essa assistência, esse atendimento ao paciente, mas não tem como a gente evitar que uma pessoa passe [o vírus] para outra. Então a gente faz um apelo para que as pessoas entendam esse momento tão sensível, esse momento tão complicado no estado do Amazonas. As medidas que estamos tomando são medidas necessárias para preservar a vida do cidadão. Wilson Lima, governador do Amazonas

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