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1 mês

Pazuello admite colapso em Manaus e diz que seis aeronaves levarão oxigênio

Do UOL, em São Paulo

14/01/2021 19h37Atualizada em 14/01/2021 21h20

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou hoje que Manaus vive um colapso no atendimento de saúde e citou a diminuição na oferta de oxigênio para pacientes com covid-19. Ele informou ainda que seis aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) vão transportar oxigênio para o Amazonas.

"Há uma realidade de diminuição na oferta de oxigênio. Estamos trabalhando para entregar mais oxigênio [no estado] e atender [as pessoas internadas] em UTI", declarou Pazuello, durante live semanal do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Manaus teve o pior momento da pandemia em abril do ano passado. Houve um colapso no atendimento, que foi revertido. Agora, estamos novamente numa situação extremamente grave em Manaus. Considero que, sim, há um colapso no atendimento de saúde em Manaus, a fila para leitos cresce bastante, estamos hoje com 480 pessoas na fila".

O governo brasileiro pediu ajuda aos Estados Unidos para tentar socorrer a rede de saúde do Amazonas após o estoque de oxigênio acabar em vários hospitais da capital, Manaus, hoje. A situação levou pacientes internados à morte por asfixia, segundo relatos de médicos.

"A procura por oxigênio na capital subiu seis vezes, então, já estamos aí em 75 mil metros cúbicos de demanda de ar na capital e 15 mil metros cúbicos no interior. Estamos já com a segunda aeronave entrando em circuito hoje, a C-130 Hércules, fazendo o deslocamento Guarulhos - Manaus, e a partir de amanhã entram mais duas e chegaremos a seis aeronaves, totalizando ai algo em torno de 30 mil metros cúbicos por dia, a partir de Guarulhos. Nessa ponte aérea, existem também os deslocamentos terrestres", afirmou o ministro.

O general Pazuello disse ainda que a capital amazonense não teve a "efetiva ação no tratamento precoce da covid-19".

Segundo o ministro, o Amazonas enfrenta problemas com a falta de recursos humanos, infraestrutura e equipamentos. "O colapso se caracteriza por não poder atender a fila, além de uma letalidade bastante alta. Estamos apoiando [o estado] em todos os aspectos: na ponte aérea, fluvial e terrestre. Agora, estamos começando a remoção de pacientes de menor gravidade para diminuir o impacto."

Situação do Amazonas

À beira de um colapso na saúde, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), pediu ajuda do governo federal e dos outros Estados para ampliar o fornecimento de oxigênio líquido para a rede estadual.

Segundo ele, a situação na atual fase da pandemia da covid-19 está "dramática" após o consumo passar de passou de 176 mil para 850 mil metros cúbicos por mês.

"Nos últimos dois meses, saímos de 457 para 1.164 leitos. Isso ocasionou um aumento do consumo de oxigênio líquido nas unidades de saúde do estado, que passou de 176 mil para 850 mil metros cúbicos por mês. Hoje, as empresas que fornecem oxigênio para o estado não conseguem surprir essa demanda", afirmou Lima, em post no Instagram.

Hoje, o governador Lima anunciou que o Amazonas vai transferir pacientes de covid-19 para outros estados, além de decretar toque de recolher a partir das 19h até as 6h —o objetivo é conter a disseminação do coronavírus no estado.

É a segunda vez em oito meses que o sistema de saúde do Amazonas apresenta falhas por causa da alta de casos e mortes provocados pela covid-19. Após as festas de fim de ano, houve um aumento também no número de enterros.

Sepultamentos batem recorde

Em um mês, o número de sepultamentos em Manaus cresceu 193% em meio à explosão do número de infectados pelo coronavírus no Amazonas. No dia 6 de dezembro, por exemplo, foram registrados 31 enterros na capital, número que subiu para 91 na última terça-feira, 5.

Por causa do aumento dos casos de covid-19, o prefeito de Manaus, David Almeida, decretou estado de emergência em Manaus pelo período de 180 dias para conter o avanço da pandemia na capital amazonense.

Na quarta-feira, foram 110 mortes por covid-19 entre as causas de óbitos no total de sepultamentos nos cemitérios de Manaus, superando a marca das cem mortes por coronavírus registrada em maio de 2020.

(Com Estadão Conteúdo)

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