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Pazuello agradece a embaixador por insumos e exalta relação com a China

Ministro da Saúde se diz responsável por negociação que liberou insumos da CoronaVac - ADRIANO MACHADO
Ministro da Saúde se diz responsável por negociação que liberou insumos da CoronaVac Imagem: ADRIANO MACHADO

Do UOL, em São Paulo

26/01/2021 12h55

O ministro da Saúde Eduardo Pazuello agradeceu hoje ao embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, pela liberação de insumos chineses que permitirão a fabricação de novas doses da vacina contra a covid-19 CoronaVac. Em carta enviada a Wanming, Pazuello ainda adotou um tom conciliador com a China, inclusive exaltando a relação entre os dois países para ações de cooperação na área da saúde.

O general afirmou que o Ministério da Saúde teve duas reuniões com os chineses para negociar a liberação. Na mais recente, realizada na última quarta-feira (20) segundo Pazuello, o próprio ministro conversou com Wanming por videoconferência. O titular da Saúde ainda citou outro encontro entre representantes da pasta e diplomatas chineses, em 23 de dezembro.

"A disposição da Embaixada da China no Brasil em colaborar com nossa gestão para acelerar o processo de exportação de insumos referentes a vacinas já havia sido manifestada em encontros prévios entre nossas equipes", disse Pazuello na carta.

"Não posso deixar passar esta oportunidade para ressaltar tudo que a China já fez pelo Brasil, doando equipamentos de proteção individual e insumos de saúde desde o início da pandemia, e tudo que sei que ainda fará pelo Brasil, assegurando o fornecimento continuado de ingredientes farmacêuticos ativos para manter o cronograma da vacinação no Brasil", afirmou o ministro.

A carta ainda acrescenta que "o Brasil está disposto a trabalhar com a República Popular da China para fortalecer ainda mais a cooperação bilateral na área da saúde, em bases mutuamente proveitosas."

Além de representar uma mudança de atitude do governo federal em relação à China, já que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez várias afirmações durante a pandemia que criticavam o país asiático e colocavam em dúvida a segurança de vacinas chinesas, a carta é mais um esforço da gestão de Bolsonaro para capitalizar em cima da liberação dos insumos.

Enquanto Bolsonaro e Pazuello afirmam que o governo federal foi o responsável pela liberação, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), nega a versão do governo e diz que todo o processo foi conduzido pela administração paulista e o Instituto Butantan, que produz no Brasil a CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac.

Versões e previsões de chegada diferentes

A guerra de versões entre o governo federal e o paulista começou ontem, quando Bolsonaro anunciou pelo Twitter a liberação de 5.400 litros de insumos, suficientes para a produção de cerca de 8,6 milhões de doses da CoronaVac. Na publicação, o presidente, assim como Pazuello, agradeceu à Embaixada da China no Brasil.

Pouco antes, Doria havia afirmado que negociava diretamente com a China sobre a questão e que teria uma resolução hoje, quando conversaria novamente com Wanming. Após a publicação de Bolsonaro, o governador paulista também foi à rede social para desmentir o governo federal.

Hoje, Doria cumpriu o cronograma anunciado ontem e realizou uma coletiva de imprensa após conversar com o embaixador chinês. O governador paulista voltou a negar a versão de Bolsonaro e Pazuello e acusou o governo federal de não ter pagado ainda as mais de 10 milhões de doses da CoronaVac que já foram incorporadas ao PNI (Programa Nacional de Imunização).

"O embaixador da China é um homem profundamente educado e cioso da condição diplomática. Respondeu à demanda feita pelo Ministério da Saúde por escrito, mas todo o relacionamento cultivado com a China, Sinovac, liberações, sempre foram conduzidos pelo estado de São Paulo e o Butantan. Nunca houve interferência ou relação para ajudar do governo federal", disse Doria.

"O Brasil é o país que mais tem vacinas no continente latino-americano porque foi um esforço do governo de São Paulo e um investimento. Até o presente momento não recebemos um centavo do Ministério da Saúde. Imagino que vão cumprir contrato e pegar, mas todo o investimento desde maio foi suportado pelo governo de São Paulo", completou o governador.

Além das versões antagônicas, o governo federal e o paulista também deram previsões diferentes para a chegada dos insumos da China. Em nota, o Ministério da Saúde prevê a matéria-prima no Brasil "até o fim desta semana". Já o diretor do Butantan, Dimas Covas, disse hoje que a instituição trabalha com a data de chegada em 3 de fevereiro, na quarta-feira da semana que vem.

Insumos da vacina de Oxford "em breve"

Além da CoronaVac, a vacina da AstraZeneca/Oxford também aguarda insumos vindos da China para a produção em solo nacional. No caso do imunizante a ser produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), porém, nenhuma dose foi envasada ainda no Brasil. Por enquanto, a Fiocruz apenas rotulou e fez o controle de qualidade de 2 milhões de doses que chegaram prontas da Índia na última sexta-feira (22).

Segundo o Ministério da Saúde, o governo federal também trabalha para conseguir a liberação da matéria-prima, mas ainda não tem uma previsão e promete apenas a chegada "em breve".

Com o atraso na importação dos insumos, a Fiocruz só deve ser capaz de finalizar as primeiras doses produzidas no Brasil em meados de março. Por isso, a instituição federal afirmou que já negocia a chegada de mais doses prontas do imunizante, mas ainda sem uma quantidade certa para o próximo lote.

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