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Ministério da Saúde abre edital para comprar hidroxicloroquina

Uso do medicamento para malária no tratamento e prevenção da covid-19 é defendido por Bolsonaro, apesar de não ter comprovação científica - Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Uso do medicamento para malária no tratamento e prevenção da covid-19 é defendido por Bolsonaro, apesar de não ter comprovação científica Imagem: Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/02/2021 17h57Atualizada em 19/02/2021 22h24

O Ministério da Saúde abriu um chamamento público em 17 de fevereiro, convocando empresas com interesse em fornecer vários medicamentos, incluindo a hidroxicloroquina. O documento é assinado por Marcelo Batista Costa, coordenador geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde Substituto.

O uso do medicamento para malária no tratamento e prevenção da covid-19 é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, apesar de não ter comprovação científica. Em transmissão ao vivo em 14 de janeiro, ele afirmou que o remédio não tem efeitos colaterais e que 200 pessoas que moram no prédio dele se trataram com cloroquina e ivermectina não foram para o hospital.

Ao ser diagnosticado com covid-19 em julho do ano passado, ele afirmou ter sido tratado com cloroquina. À época, o estoque era de 4 milhões de comprimidos.

Além de não haver qualquer comprovação científica benéfica do efeito do medicamento no tratamento e prevenção da covid-19, a cloroquina e a hidroxicloroquina têm, sim, efeitos colaterais, que variam de acordo com o organismo de cada pessoa.

Enquanto o governo federal se esforça para comprar o medicamento, o jornal Folha de S.Paulo revelou na última quarta-feira (17) que ao menos cinco capitais já estão sem doses o suficiente para completar a primeira fase de vacinação. O estoque deve durar apenas até o fim de semana em Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa e Goiânia. Em ao menos outras sete capitais, os estoques devem terminar até domingo.

Desovando estoque

No fim de novembro de 2020, o Ministério da Saúde distribuiu toda a cloroquina disponível a estados e prefeituras. Até novembro, a pasta adquiriu e distribuiu todos os 5,8 milhões de comprimidos de cloroquina obtidos. O Ministério justificou que isso foi feito por causa dos pedidos feitos por prefeituras e governos estaduais.

"O Ministério da Saúde adquire apenas a cloroquina e não possui estoque, uma vez que o medicamento foi distribuído de acordo com pedidos e planejamento prévio dos estados", informou ao UOL à época.

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Saúde para mais esclarecimentos sobre o edital, mas ainda não teve resposta.

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