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1 mês

Contra explosão de casos, cidade de SC expõe fotos de pacientes intubados

Mensagens são exibidas em vias de Xaxim, cidade no Oeste Catarinense - Prefeitura de Xaxim/Divulgação
Mensagens são exibidas em vias de Xaxim, cidade no Oeste Catarinense Imagem: Prefeitura de Xaxim/Divulgação

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Chapecó (SC)

25/02/2021 15h16

Para tentar alertar a população e conter a explosão de casos de covid-19, uma cidade do Oeste Catarinense decidiu apostar em uma estratégia pouco usual: fotos de pacientes com covid-19 foram espalhadas na praça central de Xaxim, de pouco mais de 28 mil habitantes. A cidade e a região convivem com esgotamento de leitos, que gerou fila de espera e até transferência de pacientes para outros municípios.

As imagens são fortes e mostram pacientes hospitalizados. "Contaminado por um filho que só foi em uma festinha", anuncia um banner com a imagem de um paciente deitado — o rosto foi coberto.

"A máscara é muito mais confortável", observa outra mensagem, com um paciente sendo intubado.

Outras três tentam colocar à população no lugar das famílias de hospitalizados: "E se você seu avô?", "Poderia ser o seu pai" e "Poderia ser sua mãe". Ao todo, foram produzidas 14 peças que inicialmente foram colocadas nas redes sociais da prefeitura em 10 de fevereiro. Dias depois, os banners foram colocados na praça. Segundo o secretário de Saúde, Uilian Cavalheiro, as imagens não são de pacientes ou vítimas da covid do município — e todas as fotografias têm autorização de uso.

Campanha Xaxim Coronavírus - Prefeitura de Xaxim/Divulgação - Prefeitura de Xaxim/Divulgação
Imagem: Prefeitura de Xaxim/Divulgação

Quando assumiu, em janeiro, o titular da pasta percebeu um crescente descumprimento das medidas de saúde, de moradores não usando máscara ou não querendo usar álcool em gel. "A gente viu que não estava funcionando e decidimos criar algo para impactar", disse. Foi aí que surgiu a campanha com as imagens fortes.

Cidade vai entrar em lockdown

A Prefeitura deve anunciar ainda hoje medidas mais duras para tentar conter o contágio. Entre elas, um lockdown ainda mais restritivo em relação à cidade vizinha, Chapecó. Só vão poder operar serviços essenciais, como unidades de saúde, farmácias, mercados, borracharias e serviços de construção civil ligados à indústria de alimentos. O confinamento deve se estender até 7 de março.

A série de medidas tem uma explicação ancorada em números. Em 10 de fevereiro, a situação tinha 81 casos positivos para covid, que estavam sendo monitorados pela prefeitura. Hoje são 608 pessoas monitoradas — um aumento de 650%. Segundo o último boletim, divulgado ontem, foram registrados 2.938 casos confirmados desde o início e 45 óbitos na cidade.

A cidade não tem UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) no hospital local, que possui leitos de enfermaria. E, por isso, acaba ficando dependente de casas de saúde de outros municípios. Hoje, seis pacientes de Xaxim estão em quatro cidades próximas (Caçador, Xanxerê, Chapecó e São Miguel do Oeste) e um em Itajaí, município a 383 km de distância.

O hospital também registra superlotação de 150% — há 39 pacientes internados para 26 leitos. Por isso, há pacientes aguardando em cadeiras, com cilindros de ar ao lado. O secretário entende que a explosão de casos está associada a uma "série de fatores": descuido natural, as aglomerações das festas de final de ano e carnaval, e a vinda de pessoas de regiões de "alto índice de contágio".

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