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Saúde

SP vê covid-19 atingir mais jovens e bate novo recorde de ocupação em UTIs

Andreia Martins, Lucas Borges Teixeira e Allan Brito

Do UOL, em São Paulo e colaboração para o UOL, em São Paulo

01/03/2021 13h36

O Estado de São Paulo atingiu um novo recorde de ocupação em UTIs (unidades de terapia intensiva) para pacientes com covid-19. Diferentemente do primeiro pico da pandemia, entre maio e junho do ano passado, o aumento tem sido proporcionado por jovens, segundo o governo estadual.

A equipe do governo João Doria (PSDB) diz que um dos motivos é que os jovens, por não apresentarem problemas prévios de saúde ou comorbidades, demoram a procurar assistência médica e chegam ao hospital em um estágio mais avançado da doença. Além disso, o crescimento dos casos nas faixas etárias de 30 a 50 anos também pode ser creditado às festas de Carnaval, há duas semanas.

"São pessoas que se sentem à vontade para sair, pensam que só vão perder paladar e olfato, mas perdem vida e vida das pessoas em torno", afirmou o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn. "Outra questão é gravidade que chegam. A doença faz oxigenação baixa sem que indivíduo sinta, ele consegue andar. [Mas,] quando chega na unidade, se vê o quanto saturação está baixo."

A pandemia retornou com velocidade e característica clínica diferentes da primeira onda. São pacientes mais jovens, com condição clínica mais comprometida, que acabam permanecendo por um período prolongado na UTI. Esses aspectos fazem com que tenhamos ocupação crescente de leitos. 60% desses pacientes estão ocupando nossas UTIs. O que víamos era o contrário. 60% ocupavam enfermarias e 40% nas UTIs.
Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde de São Paulo

Segundo o governo, hoje a taxa de ocupação de leitos na Grande São Paulo está alta, com 74,3%. São 7.163 pacientes internados nas UTIs, "aproximadamente 763 a mais, com média de 100 novos pacientes internados diariamente em todo estado", afirmou o secretário. O número é 14,7% maior que o pico observado na 1ª onda da pandemia, na 29ª semana de julho do ano passado.

Gorinchteyn disse que o governo está estudando a reabertura dos hospitais de campanha, mas afirma que as ações têm "limitação de espaços e recursos humanos, de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas".

"Precisamos que a população mude o comportamento. É vergonhoso o que vimos no fim de semana, com o número de autuações, com a forma que se expõem ao risco e levam o vírus para casa, matando mães, pais, tios e avós e se matando", falou o secretário.

1.mar.2021 - Pacientes com covid-19 internados em UTI no Estado de SP - Divulgação/Governo de SP - Divulgação/Governo de SP
1.mar.2021 - Pacientes com covid-19 internados em UTI no Estado de SP
Imagem: Divulgação/Governo de SP

O coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus, João Gabbardo, não descarta a necessidade de medidas mais duras para combater a alta nos números. Além disso, ele cobrou uma coordenação do governo federal.

"Tivemos a evolução da pandemia que começou no seguimento regional. Neste momento, estamos enfrentando uma realidade diferente, com o país inteiro colapsando. Não é mais possível que medidas fiquem na responsabilidade de gestores municipais e estaduais", argumentou.

Estado tem 286 autuações por desrespeito às restrições

Entre a noite de sexta-feira (26) e domingo (28), a fiscalização fez 286 autuações pelo descumprimento da nova regra de restrição de circulação, horários de funcionamento, uso obrigatório de máscaras e distanciamento social no interior dos estabelecimentos. Cristina Megid, chefe da Vigilância Sanitária estadual, disse que foram mais de 3970 fiscalizações e que a situação gerou preocupação.

Fiscais ficaram assustados de ver o número de estabelecimentos abertos e de pessoas (agindo) como se houvesse amanhã. A situação é caótica. Se população não perceber que faz parte da população, não vamos conseguir caminhar.
Cristina Megid, chefe da Vigilância Sanitária

A fiscalização é feita pela Vigilância Sanitária, Polícia Militar e Procon-SP. Os flagrantes da ação da Vigilância Sanitária foram em restaurantes e bares funcionando durante o período do toque de restrição e um baile para terceira idade, com mais de 190 idosos. Foram feitas 3.869 inspeções e 245 autuações.

As equipes do Procon-SP vistoriaram 105 estabelecimentos que prestam atividade não essencial e autuaram 41 deles por desrespeito às regras. As empresas flagradas podem ser multadas em até R$ 10,2 milhões. Já o balanço da Polícia Militar aponta abordagem a mais 79 mil pessoas e 136 mil veículos vistoriados.

SP cobrará ressarcimento da Saúde por leitos de UTI

O Governo de São Paulo afirmou ainda que vai buscar na Justiça o ressarcimento de R$ 245 milhões gastos na manutenção de UTIs no estado, depois que o Ministério da Saúde encerrou o pagamento em 2021.

No fim de semana, o STF (Supremo Tribunal Federal) deferiu liminar em ação ajuizada pela PGE (Procuradoria Geral do Estado) para a retomada, pelo Governo Federal, do custeio de 3.258 leitos de UTI destinados a pacientes de covid-19 no estado. A decisão da ministra Rosa Weber, em caráter liminar, deve ser cumprida de forma imediata.

Segundo o governo do estado, o Ministério da Saúde chegou a custear um total de 3.822 leitos de UTI em São Paulo no decorrer da pandemia, mas foi reduzindo este financiamento e passou a subsidiar o funcionamento de apenas 564 leitos em 2021. O governo estadual afirma que encaminhou diversas solicitações oficiais ao governo federal "porém o Ministério da Saúde não se posicionou em relação à habilitação dos leitos".

De acordo com o governador João Doria (PSDB), a medida vai se estender a todos os estados que entrarem com mesmo recurso no STF. O governador afirmou ainda que aPGE foi autorizada hoje a entrar com medida no STF pra exigir que o Ministério da Saúde forneça seringa e agulhas aos estados para a realização da imunização.

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