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Secretário: mortes em SC ocorrem porque covid é grave, não por falta de UTI

Pacientes de covid-19 recebem tratamento no Hospital Florianópolis, em Santa Catarina; segundo secretário, falta de leitos de UTI não é causa direta de mortes - Eduardo Valente/Ishoot/Estadão Conteúdo
Pacientes de covid-19 recebem tratamento no Hospital Florianópolis, em Santa Catarina; segundo secretário, falta de leitos de UTI não é causa direta de mortes Imagem: Eduardo Valente/Ishoot/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

04/03/2021 12h09

O secretário estadual de Saúde de Santa Catarina, André Motta Ribeiro, disse que o relato de pessoas com covid-19 morrendo enquanto esperam leitos de UTIs não significa falta de atendimento hospitalar no estado.

Em entrevista à GloboNews, Motta Ribeiro contestou a relação direta dos óbitos à falta de unidades de terapia intensiva, dizendo que o aumento do número de mortes é resultado da gravidade da doença.

"Pessoas não estão morrendo porque estão na fila esperando UTI, estão morrendo porque é uma doença grave, Muita gente está morrendo na UTI também", disse. "Obviamente UTI que é um lugar bem controlado, mas não é totalmente verdadeiro dizer que estão morrendo por falta dela."

Desde fevereiro, um levantamento apresentado pela GloboNews indica que 44 pessoas morreram enquanto esperavam um leito de UTI em Santa Catarina. Atualmente, segundo o secretário, mais de 200 pessoas estão nesta situação.

Porém, Motta Ribeiro disse que o atendimento adequado está sendo realizado em unidades de emergência e nenhum paciente ficou sem assistência. "Nossos pacientes estão aguardando, mas não estamos perdendo vidas por falta de acesso", disse.

O secretário ainda afirmou ter experiência em unidades de emergência, o que o qualificaria a atestar a importância de um atendimento inicial para estabilização do quadro. Segundo ele, todos os pacientes à espera de UTI estão instalados em "salas vermelhas" de hospitais, sendo monitorados adequadamente, enquanto o estado tenta aumentar a oferta de unidades de alta complexidade.

"Óbvio que a UTI é um ambiente controlado, especializado, mas as pessoas estão morrendo porque é uma doença grave", repetiu.

Questionado pelo comentarista Octávio Guedes se isso significaria que abriria mão de uma UTI para seus familiares, o secretário disse que faltava entendimento ao seu argumento.

"Precisamos ter entendimento do que está sendo dito. Não disse que não precisa de UTI, mas fazer esse tipo de pergunta é desrespeitoso", disse, adicionando que estava trabalhando sério. "O que não podemos falar é que pessoas estão morrendo por falta de UTI."

"Lockdown não funciona"

Outro ponto de tensão na entrevista foi em relação à possibilidade de um lockdown no estado, com restrições rigorosas para evitar a circulação de pessoas e assim diminuir a taxa de contágio da doença.

André Motta Ribeiro disse que "lockdown não funciona em nenhum lugar do mundo" e citou entre os exemplos o caso de Portugal. Contestado pelo fato de o país europeu ter reduzido a transmissão de forma significativa com medidas restritivas após um pico da doença em janeiro, o secretário disse que defende o equilíbrio, com a consciência da população.

"Eu não estou dizendo que não funciona, digo que medidas de restrições funcionam, só que as pessoas precisam cumprir", alegou, dizendo que quando a "economia está muito afetada também há reflexos na saúde".

Para o secretário, existe a "dificuldade de entender a gravidade da doença como sociedade" e é preciso "consciência coletiva" para que medidas de restrição tenham resultado. "Só determinação de gestores não funcionam", disse.

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