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Em contraste a Pazuello, governador diz que país já vive colapso hospitalar

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT-PI), afirmou hoje que o Brasil já vive um colapso da rede hospitalar - Reprodução/Facebook
O governador do Piauí, Wellington Dias (PT-PI), afirmou hoje que o Brasil já vive um colapso da rede hospitalar Imagem: Reprodução/Facebook

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

11/03/2021 10h51Atualizada em 11/03/2021 14h58

Ao contrário da fala do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, o governador do Piauí e coordenador do Fórum Nacional dos Governadores para a temática de vacinas, Wellington Dias (PT), afirmou hoje que o Brasil já vive um colapso da rede hospitalar.

"Neste instante, já estamos dentro de um colapso nacional na rede hospitalar. Não vamos para ele. Já estamos. Tem nesse instante uma fila gigante. Estou falando aí de milhares mesmo. Algo aí como 30 mil, 40 mil pessoas em todas as filas hospitalares por vaga de UTI e, em alguns lugares também, de leito clínico. Ou seja, gente morrendo por falta de respirador", afirmou Dias.

A declaração foi dada em reunião remota da comissão de monitoramento da covid-19 do Senado a senadores e outros governadores.

Em vídeo de ontem, Pazuello afirma que o sistema de saúde "está muito impactado, mas não colapsou, nem vai colapsar". Essa fala do ministro aconteceu no dia em que o Brasil registrou a morte de 2.354 pessoas pela covid-19, o maior número em 24 horas desde o início da pandemia.

Wellington Dias reforçou que medidas preventivas são um paliativo, sendo a saída mais definitiva a vacinação da população. Ele disse que, como a nova variante do coronavírus tende a ser mais transmissível, a ideia dos governadores é aplicar ações que ajudem a conter essa transmissibilidade. No entanto, disse que a realidade estadual de cada mandatário será levado em conta.

Nas últimas semanas, alguns estados voltaram a endurecer restrições na circulação de pessoas e na abertura do comércio, sob protesto de parte da população, diante da escalada de novos casos da covid-19. A vacinação no país foi iniciada, mas os governadores cobram o Ministério da Saúde por definições mais claras no cronograma de fornecimento e aplicação das doses.

Previsão de 50 milhões de vacinados até abril

Dias afirmou que os governadores trabalham com a perspectiva de se chegar a abril com cerca de 50 milhões de pessoas vacinadas no país. Esse grupo representa as pessoas sendo vacinadas nesta primeira fase, como idosos, indígenas, pessoas com comorbidades e moradores de asilos, por corresponderem a cerca de 70% dos casos de internações e óbitos, disse.

No vídeo, Pazuello diz que o governo entregou "mais de 20 milhões de doses" de vacinas e, até o final de abril, deve-se chegar a "mais de 80 milhões de doses" distribuídas.

Ele afirma haver uma "unidade nacional indissolúvel entre o governo federal, o Congresso Nacional, os estados e os municípios" para agilizar a vacinação. Enquanto isso, governadores e prefeitos cobram do ministério resoluções e respostas mais concretas. Para tanto, os mandatários estaduais chegaram a recorrer aos presidentes da Câmara e do Senado como forma de aumentar a pressão para ações do governo federal.

O governador Wellington Dias ressaltou a importância da lei sancionada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para viabilizar a compra de imunizantes da Pfizer e da Janssen. O projeto de lei foi articulado com a ajuda de senadores para destravar resistências do governo federal. Dias também afirmou que trâmites na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) devem ser agilizados.

O mandatário do Piauí reclamou que a AstraZeneca não estaria cumprindo contrato firmado quanto ao fornecimento do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) importado e de restrições de exportações impostas pela Índia. Relatou ainda que a produção da vacina AstraZeneca deve ser aumentada nos próximos meses.

Wellington Dias afirmou que o objetivo é manter a previsão de todas as vacinas sejam distribuídas pelo governo federal

Senão daqui a pouco um estado vacinou 80% e outro apenas 4%, e isso vai causar um problema muito grave. Um município vacinou 80%, e outro está com 10%. O que tem dinheiro compra, o que não tem dinheiro não compra. Essa disputa pode levar ao aumento de preços. Daqui a pouco vai dar cadeia para todo mundo. Ou seja, o caminho adequado é a centralização
Wellington Dias

Governadores pedem que União centralize compras

Os governadores presentes à reunião também defenderam que o governo federal deve centralizar a compra de medicamentos e insumos usados no combate da covid-19 para que se evite um aumento acentuado de preços e falta de estoque em algumas unidades federativas.

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), disse que "um trabalho em conjunto para compra desses insumos seria importante até para equilibrar o preço de mercado, porque, quando se faz no varejo, vai se criando uma especulação que faz com que os preços subam significativamente".

Para o governador da Bahia, Rui Costa, "a compra descentralizada por Estados e Municípios leva, necessariamente, a uma elevação dos preços e a um leilão de quem tem esses medicamentos e esses insumos".

Entre pontos que precisam ser melhorados, senadores e governadores citaram a necessidade de uma clareza maior no cronograma de vacinas, ações mais efetivas na área de Relações Exteriores, rede de tratamentos para sequelas da covid-19, rediscussão do compartilhamento de despesas de leitos hospitalares entre estados e União, além da melhora na comunicação.

Na mesma reunião, o senador Omar Aziz (PSD-AM) disse que o ministro Pazuello os "enganou" no Amazonas, pois "prometeu que no dia 21 de fevereiro todas as pessoas acima de 50 anos seriam vacinadas, e até hoje nós estamos esperando essas vacinas".

"Não chegaram essas vacinas. O que o Ministério da Saúde não pode fazer é criar uma expectativa e não cumprir essa expectativa", criticou.

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