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Ex-reitor punido por criticar governo diz que não deixará de expor opinião

Pedro Hallal no Roda Viva - Reprodução/TV Cultura
Pedro Hallal no Roda Viva Imagem: Reprodução/TV Cultura

15/03/2021 23h44

O epidemiologista, professor e ex-reitor da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), Pedro Hallal, afirmou hoje em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que vai continuar manifestando sua opinião sobre a condução que o governo federal faz do combate à pandemia de covid-19.

"Eu me lembro de ouvir do meu pai e da minha mãe que teve uma época no Brasil em que não se podia criticar o governo. A única coisa que espero é que nunca volte esse momento", afirmou Pedro em referência à ditadura militar.

O ex-reitor foi alvo de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) após se manifestar contra o presidente Jair Bolsonaro em uma transmissão ao vivo nas redes sociais da UFPel em janeiro deste ano.

Na ocasião, ele criticou a nomeação da professora Isabela Fernandes Andrade como reitora, porque ela não fazia parte da lista tríplice, indicações feitas pela comunidade da universidade. O posicionamento do professor levou o deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS) a fazer uma denúncia na CGU, na qual pediu sua exoneração.

"Governo federal joga no time do vírus"

No Roda Viva, Hallal voltou a criticar duramente as ações do governo federal. "Efetivamente o governo federal hoje joga no time do vírus", disse. "Na semana passada teve algumas faíscas de interesse do governo de vir pro lado contra o vírus. Se quiser, é muito bem vindo", completou.

O ex-reitor criticou a politização das medidas de combate à pandemia: "A discussão polarizada sobre tratamento, máscara, distanciamento acaba tornando os pesquisadores que defendem a posição científica como se tivessem adotando um lado pró-governo ou oposição".

"Não se trata disso. Óbvio que cada um de nós tem sua opinião, votou em alguém na última eleição e vai votar em outro na próxima, mas não é esse o motivo que emitimos nossas opiniões. Até em nossa família a gente tem dificuldade, é impressionante", desabafou.

"Pede para sair"

Hallal encerrou sua participação no programa defendendo a saída do presidente Jair Bolsonaro. Ele citou Tom Jobim ao dizer que "o Brasil não é para amadores, para principiantes", e completou afirmando que "muito menos o cargo de presidente da República". "Então, se não é capaz de liderar o país nesse momento, pede para sair", disse.

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