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Coronavírus

Pazuello promete 68 milhões doses de vacinas não aprovadas pela Anvisa

Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello vai ser substituído - Carolina Antunes/PR
Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello vai ser substituído Imagem: Carolina Antunes/PR

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

15/03/2021 20h15

Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, anunciou hoje a compra de 68 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 que ainda não tiveram o registro aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Em coletiva de imprensa, ele apresentou um cronograma que prevê mais de 562 milhões de doses ainda em 2021, mas muitas entregas já apresentaram atraso.

O ministro também já reduziu a previsão de distribuição de vacinas quatro vezes só no mês de março. Ainda em fevereiro, Pazuello projetou a distribuição de 46 milhões de doses até o fim do mês. No dia 4 de março, o número passou a ser de 38 milhões. Depois foram feitas previsões de até 30 milhões, "entre 25 e 28 milhões" e, na última semana, falou-se "entre 22 e 25 milhões".

O cronograma previsto é para ser alterado. Quando o fabricante não entrega, quando a linha de produção para, quando acontece qualquer dificuldade na legalização das doses.
Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, em 15 de março

No cronograma de contratação das vacinas, foram apresentadas compras de 20 milhões da Covaxin, 10 milhões da Sputnik V e outros 38 milhões da Janssen, desenvolvida pela Johnson & Johnson.

Nenhuma das três teve registro aprovado pela Anvisa até o momento. Segundo a própria agência reguladora, em painel no qual atualiza o andamento das análises das vacinas, a Janssen ainda não solicitou o uso emergencial no país e ainda precisa entregar dados de pesquisa.

O painel não apresenta o status da Covaxin nem da Sputnik V.

crono - Divulgação/Ministério da Saúde - Divulgação/Ministério da Saúde
Cronograma de entrega de vacinas contra a covid-19 apresentado pelo Ministério da Saúde
Imagem: Divulgação/Ministério da Saúde

No caso da Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia, e importada pelo laboratório União Química, há representantes intermediando a negociação direto com a Anvisa.

Já a Covaxin, desenvolvida pelo laboratório Precisa Medicamentos, será discutida em reunião marcada para amanhã na agência reguladora. Ainda não houve pedido para uso emergencial no país.

Em 58 dias de vacinação, o governo imunizou apenas 4,61% da população com a primeira dose das vacinas disponíveis no Brasil: CoronaVac e AstraZeneca, ambas necessitando de duas aplicações. Somente 1,69% dos brasileiros recebeu as duas doses necessárias contra o coronavírus. O levantamento é do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte e que reúne dados divulgados pelas secretarias de saúde dos estados.

Troca no ministério

Embora tenha declarado que o evento era uma rotineira apresentação de ações no combate ao vírus —e não um balanço de sua gestão—, Pazuello admitiu que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) avalia outros nomes para assumir o Ministério da Saúde. Segundo a colunista Carla Araújo, o cardiologista Marcelo Queiroga já aceitou o convite.

Antes havia sido cotada a médica Ludhmila Hajjar, que disse ter recusado o pedido. Auxiliares do governo tentaram hoje criar a narrativa de que "não houve um convite formal".

"Dra. Ludhmila é uma médica de muita credibilidade. São injustos os ataques dirigidos a ela. Não procedem as informações de declínio do convite por divergências entre ela e o PR. Houve conversas fluidas entre eles, mas não pode ter havido recusa a convite que não foi feito", escreveu nas redes sociais o ministro da Comunicações, Fábio Faria.

Outros membros do governo ouvidos pela coluna disseram que o ponto principal de resistência por parte de Bolsonaro foi a revelação de alguns posicionamentos públicos da médica nas redes sociais.

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