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Secretário de SP diz que hospitais privados lotados pediram leitos do SUS

UTI destinada a pacientes com Covid-19 no hospital Emílio Ribas, em São Paulo  - Reinaldo Canato/UOL
UTI destinada a pacientes com Covid-19 no hospital Emílio Ribas, em São Paulo Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Leonardo Martins

Colaboração para o UOL, em São Paulo

16/03/2021 12h23Atualizada em 17/03/2021 15h07

O secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, disse hoje que hospitais lotados da rede privada da cidade de São Paulo pediram hoje à prefeitura o empréstimo de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para tratar de pacientes com covid-19.

A declaração de Aparecido foi feita à rádio CBN e confirmada pelo UOL com o secretário. As unidades particulares estão operando em capacidade máxima, todas com mais de 90% de ocupação nos leitos voltados para pessoas contaminadas com o novo coronavírus.

Já alguns dos hospitais particulares que requisitaram leitos à Prefeitura dão outra explicação ao pedido. Em nota, o hospital Nipo-Brasileiro disse que a prática de solicitar leitos de UTI ao SUS é comum e cumpre o protocolo de atendimento de pacientes que foram atendidos na unidade, mas não têm convênio particular. O hospital disse que encaminha os pacientes pelo Sistema Cross para possíveis vagas na rede pública de saúde.

Na mesma linha, o grupo Leforte afirmou que está com 86% de seus leitos ocupados e que o pedido é voltado para pacientes sem convênio. "Os pedidos de transferência feitos para a rede do SUS atendem aos pedidos dos familiares de dois pacientes que foram acolhidos, encontram-se internados e recebendo todo o atendimento, mas não possuem plano de saúde", escreveu em nota.

O Nove de Julho também disse se tratar de pacientes sem convênio. "O paciente recebe atendimento de emergência e permanece sob cuidados da equipe e, ao mesmo tempo, solicita apoio ao Serviço Social do Hospital para requerer uma vaga no SUS, via Cross - Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde".

O mesmo foi dito pelo hospital São Cristóvão, que ainda disse que os leitos solicitados para pacientes que não têm convênio médico não foram disponibilizados pela prefeitura. "É importante ressaltar que os leitos solicitados foram destinados a pacientes que não são beneficiários do São Cristóvão Saúde".

Já a rede de Hospitais São Camilo afirmou desconhecer a informação e disse que a taxa de ocupação de leitos destinados ao tratamento de covid-19, atualmente, é de 99% nas enfermarias e UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo).

O hospital IGESP também disse que "é uma prática comum de todos os hospitais particulares quando se trata de pacientes não assistidos por nenhum plano de saúde, independente da patologia".

De toda forma, o pedido não surpreende a gestão municipal, dada a gravidade da pandemia no Brasil, mas preocupa as autoridades, que contavam que os hospitais privados, caso fosse necessário, fornecessem leitos à rede pública.

Na avaliação de Edson Aparecido, a expectativa é que os pedidos por leitos na rede privada vão aumentar nos próximos dias conforme a demanda aumentar. A curva de novas internações por dia na capital está em crescimento progressivo há pelo menos duas semanas. Apenas ontem foram 2.736 novas pessoas internadas.

Veja a lista de hospitais que, segundo a prefeitura, requisitaram leitos de UTI:

  • Hospital São Cristóvão: cinco leitos;
  • Hospital Santa Virgínia: três leitos;
  • Hospital Santa Paula: três leitos;
  • Instituto de Câncer Dr. Arnaldo: três leitos;
  • Hospital Nipo Brasileiro (afirma que se trata de pacientes sem convênio): três leitos;
  • Hospital São Camilo: dois leitos;
  • Hospital IGESP: dois leitos;
  • Hospital Nossa Sra. de Lourdes: um leito;
  • Hospital Vida's: um leito;
  • Hospital Lefort (afirma que se trata de pacientes sem convênio): um leito;
  • Hospital Edmundo Vasconcelos: um leito;
  • Hospital Nove de Julho (afirma que se trata de pacientes sem convênio): um leito;
  • Hospital Albert Sabin: um eleito;
  • Hospital Avi Ccena: um leito.

Os novos casos e mortes também crescem da cidade. Foram 2.734 novas pessoas infectadas com o novo coronavírus, enquanto 35 morreram por causa da doença.

O que acontece na capital é um reflexo do estado. São Paulo tem 24.285 pacientes internados por covid-19, o maior número desde o começo da pandemia, em março do ano passado.

Segundo o governo de SP, foi o segundo dia consecutivo que o estado ultrapassa a marca de 10 mil internados em UTI. As taxas de ocupação de leitos de UTI chegaram a 89% em todo o estado. Na Grande São Paulo, a ocupação é de 90,5%.

Hoje, o estado bateu a marca de 679 mortes nas últimas 24 horas, também recorde na pandemia.

Na última entrevista coletiva do governo do estado, o coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus, João Gabbardo dos Reis, antecipou que a tendência é de piora dos índices de casos, mortes e leitos ocupados. O cenário só deve melhorar daqui 15 dias, segundo o comitê.

Desde ontem, o estado de São Paulo está em fase emergencial, a mais restritiva do Plano São Paulo.

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