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Em 17 dias, internação em UTI cresce 50% e São Paulo se aproxima do colapso

UTI destinada a pacientes com Covid-19 no hospital Emílio Ribas, em São Paulo - Reinaldo Canato / UOL
UTI destinada a pacientes com Covid-19 no hospital Emílio Ribas, em São Paulo Imagem: Reinaldo Canato / UOL

Leonardo Martins

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/03/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Cidade de São Paulo está com uma taxa de 88% de ocupação no tratamento intensivo
  • De 1º de março (753 internados) até ontem (1.133), o salto foi de 50%
  • Ao menos 11 hospitais municipais já bateram 100% de lotação das UTIs

A cidade de São Paulo está, pela primeira vez, à beira de um colapso do sistema de saúde após o aumento progressivo de pessoas internadas em UTI (Unidades de Terapia Intensiva) voltadas para covid-19.

Atualmente com uma taxa de 88% de ocupação no tratamento intensivo, a prefeitura assistiu ao número de pacientes internados saltar dia a dia ao longo do mês. De 1º de março (753 internados) até ontem (1.133), o salto foi de 50%.

Ao menos 11 hospitais municipais já bateram 100% de lotação das UTIs, contando com as unidades contratadas pela prefeitura:

  • Hospital Municipal José Soares Hungria
  • Mário Degni
  • Waldomiro de Paula
  • Complexo Hospitalar Municipal Sorocabana
  • Brigadeiro
  • HM São Luiz Gonzaga
  • Vereador José Storopolli
  • Cruz Vermelha
  • Santa Casa de Santo Amaro
  • Santa Marcelina

Segundo a prefeitura, a cidade conta, atualmente, com 1.291 leitos de UTI e 1.213 de enfermaria para covid-19.

Prefeitura e especialistas em saúde divergem quanto à definição de uma situação de colapso hospitalar. Apesar de já ter registrado a primeira morte de um paciente na fila por um leito e com mais 475 na espera, o prefeito, Bruno Covas (PSDB), diz que a saúde "está colapsando". Internamente, a secretaria municipal considera que o colapso só acontecerá quando não houver mais leitos disponíveis nas estatísticas, isto é, quando as taxas marcarem 100%. Por isso, está investindo em abertura de leitos.

Já para membros do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, a derrocada das unidades já está em curso desde o início da semana. O objetivo agora seria amenizar os prejuízos. Na visão dos especialistas, os 12% de leitos disponíveis, na verdade, já estão ocupados. O espaço é computado como 'vago' por poucos minutos — para ser higienizado após alta ou morte de um paciente com covid-19 — até ser ocupado novamente.

Márcio Sommer Bittencourt, médico do centro de pesquisa clínica e epidemiológica do Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo), explica que há outra concepção de colapso na saúde, diferente do que diz a gestão municipal.

"[O colapso é] Quando, por excesso de demanda, o sistema de saúde tem queda na qualidade assistencial fornecida aos pacientes com claro impacto no prognóstico dos pacientes atendidos. Isso está acontecendo algum tempo", disse. A pergunta simples é: se tivéssemos mais leitos, a assistência seria melhor, com menor sequela e menor morte? Se sim, existe algum grau de colapso."

Os hospitais particulares também não conseguem desafogar leitos e estão incluídos no caos. Dados levantados pelo Hospital Universitário da USP com base em oito hospitais privados da capital apontam que a curva de novas internações está em plena ascensão, com mais de 1.300 pessoas internadas.

Gráfico Centro Pesquisa USP - Divulgação/Márcio Bittencourt - Divulgação/Márcio Bittencourt
Dados de oito hospitais particulares da capital paulista apontam lotação nos leitos de UTI
Imagem: Divulgação/Márcio Bittencourt

Vacina, máscara e distanciamento

Não há outra alternativa para a crise, neste momento, que não a adoção de medidas restritivas severas e aumentar o impulso na vacinação no país, conforme apontam os membros do comitê de saúde do governo estadual e outros especialistas. Na visão dos médicos, a abertura de leitos é importante, mas está longe de ser a solução.

É o que infectologistas e epidemiologistas costumam chamar de 'enxugar gelo': investe-se em soluções na última etapa da infecção, quando o paciente precisa ser intubado e o corpo está absolutamente infectado. O que defendem é a prevenção, impedindo que as pessoas se infectem.

Covas anunciou ontem o adiantamento de feriados e a mudança no horário de rodízio de carros a partir de segunda-feira (22) na tentativa de diminuir a circulação de pessoas na cidade, além da abertura de mais 640 leitos na capital.

O endurecimento partiu do governo estadual que, semana passada, anunciou a fase emergencial do Plano São Paulo, a mais restritiva do programa, impedindo abertura de dezenas de setores comerciais e com toque de recolher não obrigatório.

O índice de isolamento social, monitorado pelo governo, porém, ainda está abaixo do mínimo ideal, que é de 55%. Na segunda, marcou 43%; na terça, 44%. O número de ontem ainda não foi divulgado. Na capital, o índice de 42% (segunda) e 43% (terça).

Os novos casos e mortes por covid-19 também crescem da cidade. Segundo dados do governo estadual, em um dia, foram 3.741 novas pessoas infectadas com o novo coronavírus.

São Paulo teve ontem mais 17.942 novos casos confirmados e 3.380 novos pacientes internados por covid-19, o maior número desde o começo da pandemia.

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