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Sedativos e oxigênio devem faltar no Brasil em poucos dias, diz jornal

Falta de oxigênio deve virar realidade nos próximos dias - Arquivo pessoal
Falta de oxigênio deve virar realidade nos próximos dias Imagem: Arquivo pessoal

Colaboração para UOL

19/03/2021 10h18

O Brasil está prestes a sofrer com a falta de insumos básicos para atendimento de pacientes com covid-19. De acordo com reportagem do jornal O Globo, é possível que faltam sedativos, "kit intubação" e até oxigênio em diversas regiões. Ao todo 18 estados podem ficar sem remédios para UTIs e 116 cidades estão no limite do oxigênio

"Já ocorreram problemas de falta de medicamentos no ano passado, mas este ano está muito pior, porque a necessidade de intubar é maior. Estamos em uma tempestade perfeita: preço aumentando, crise na oferta, aumento de pacientes e falta de materiais", disse o presidente do SindHosp (Sindicato de Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo), Francisco Balestrin.

O diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Ronaldo Damião, afirma que a falta de medicamentos já é uma realidade. "Nossos estoques estão no fim. Faltam remédios, mas os pacientes continuam a chegar. A situação é desesperadora". O "kit intubação", que envolve sedativos e equipamentos usados na UTI, está em falta em 18 estados, segundo o Fórum de Governadores.

A FNP (Frente Nacional de Prefeitos) contabiliza que 116 cidades podem ter falta de oxigênio em breve. E são municípios de 11 estados: Bahia, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Norte, Maranhão, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Ceará e Santa Catarina. Além desses, o jornal O Globo localizou ainda risco de colapso em cidades de Rondônia.

"Há uma sobrecarga (de pedidos por oxigênio) nas cidades pequenas e médias, que não dispõem de rede própria. Elas fazem abastecimento de oxigênio por meio de cilindro. Esse tipo de armazenamento exige uma troca de muitos cilindros por dia, e a empresa (que fornece oxigênio) não tem capacidade. As cidades que não dispõem de tanque, usina ou estrutura mais complexa para abastecimento de oxigênio vão ter dificuldades", previu o presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Carlos Eduardo Lula.

Segundo a White Martins, principal produtora de oxigênio líquido medicinal do Brasil, seis estados estão com "consumo expressivo": Ceará, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Nas duas primeiras semanas de março, o consumo cresceu 56% no país, em comparação com dezembro.

Outro grave problema é que, com a falta de todos esses insumos, há uma elevação de preços. Em pesquisa realizada pelo SindHosp, 79% dos hospitais de São Paulo reclamaram desse problema. Governadores do Nordeste afirmaram ao Ministério da Saúde que o preço dos insumos está até 75% superior ao valor de um ano atrás.

E o governo federal?

O diretor de Logística do Ministério da Saúde, general Ridauto Fernandes, participou de audiência no Senado ontem e admitiu o risco de colapso.

"Sinto muito, não dá tempo de ir atrás de mais miniusinas. A velocidade de aquisição (de cilindros) não é também instantânea. E a expectativa de falta perigosa desse produto na ponta da linha, nos pequenos hospitais, é de poucos dias", alertou Fernandes.

De acordo com o O Globo, "gestores públicos e entidades médicas pressionam o governo federal por soluções para a falta de medicamentos". Eles querem facilitação de importação de insumos, compras emergenciais, redução do preço dos remédios pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos e um esforço governamental para que a indústria aumente sua produção.

Enquanto o Ministério da Saúde passa por transição e ainda não respondeu, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) se comprometeu a agilizar processos para importação.

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