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3 meses

Covid: Entidades médicas pedem suspensão do uso da cloroquina e ivermectina

Fila de espera na emergência do hospital da Restinga, na zona sul de Porto Alegre, que teve superlotação devido à covid-19 - EVANDRO LEAL/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
Fila de espera na emergência do hospital da Restinga, na zona sul de Porto Alegre, que teve superlotação devido à covid-19 Imagem: EVANDRO LEAL/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

23/03/2021 10h04Atualizada em 23/03/2021 10h12

O uso de cloroquina, ivermectina e de outros fármacos recomendados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para tratamento ou prevenção da covid-19 deve ser banido, de acordo com o Comitê Extraordinário de Monitoramento da Covi-19, organizado pela Associação Médica Brasileira (AMB). Em nota divulgada hoje, o grupo afirma que para superar a pandemia, o Brasil deve 'vacinar com celeridade todos os cidadãos'.

"Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida", disse em nota a AMB.

O documento foi assinado em nome de mais de 80 sociedades médicas especializadas e afirma que a higiene das mãos, o uso de máscaras e o distanciamento social são ferramentas preventivas essenciais no combate ao vírus. A entidade também reforçou que faltam medicamentos para intubação de pacientes nas alas de covid-19 e que não há leitos de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) para atender a demanda nacional, devido ao número crescente de casos.

"São urgentes esforços políticos, diplomáticos e a utilização de normativas/leis de excepcionalidade, para solucionar a falta de medicamentos ao atendimento emergencial de pacientes hospitalares acometidos pela COVID-19, em especial de bloqueadores neuromusculares, opioides e hipnóticos - indispensáveis ao processo de intubação de doentes em fase crítica".

A AMB fez um alerta sobre a falta de recursos humanos, de insumos farmacológicos e de material de apoio, alegando que a transformação de salas de cirurgias em UTIs deve ser pontual. "É uma exceção, não regra'', diz a entidade.

O novo indicado ao ministério da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, recebeu as saudações da entidade, ao citar que os brasileiros almejam que a gestão 'seja um exemplo de independência na implantação de políticas/medidas consistentes e necessárias à resolubilidade e qualidade no sistema' e de 'compromisso com a melhor medicina'.

Bolsonaro diz que novo ministro trabalhará mais pela 'medicina'

Bolsonaro disse ainda que é preciso 'lutar contra o vírus, e não contra o presidente', mas que o comentário não era direcionado para uma pessoa específica.

"Orgulho de Pazuello, do trabalho que fez no tocante à vacina. O novo [ministro] que está entrando agora é um médico experiente e vai, obviamente, fazer um segundo tempo de um ministério voltado muito mais agora do que era para a questão da medicina, mas não temos ainda a cura do vírus, estamos buscando", disse o presidente.

Queiroga será o quarto ministro da Saúde nomeado por Bolsonaro. O primeiro foi o médico Luiz Henrique Mandetta, demitido em abril por discordar do presidente sobre o combate ao coronavírus. O também médico Nelson Teich o substituiu e pediu demissão menos de um mês depois, também por discordar das ideias de Bolsonaro.

O general Pazuello assumiu o cargo interinamente e, por mais de uma vez, Bolsonaro destacou que ele tinha como competência a gestão. Agora, Bolsonaro muda o discurso e valoriza o conhecimento em Medicina.

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