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'Estamos esperando a boa vontade da Anvisa', diz Rui Costa sobre Sputnik V

O governador da Bahia argumentou que 64 países do mundo estão usando a vacina e não houve registros de efeitos colaterais - Reprodução/Facebook
O governador da Bahia argumentou que 64 países do mundo estão usando a vacina e não houve registros de efeitos colaterais Imagem: Reprodução/Facebook

Colaboração para o UOL

04/05/2021 08h32

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), criticou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e disse que está esperando a "boa vontade" da agência em aprovar a vacina russa Sputnik V.

Segundo Costa, o Consórcio do Nordeste chegou a enviar pessoas para a Rússia, nos mesmos dias em que os técnicos da Anvisa estavam lá, e mesmo assim os técnicos da agência não reportaram que tinham sido impedidos de acessar os laboratórios.

"O que nós [Consórcio do Nordeste] estamos pedindo é um pouco mais de boa vontade da Anvisa dessa vez para que ela faça o teste, pegue amostras e faça os testes se de fato contém ou não o vírus replicante. Basta pegar os frascos e, se quiser garantir que a amostra seja aleatória, vá até a Argentina, solicite os frascos, faça o teste e avise ao mundo se tem ou não tem o vírus replicante", afirmou Costa, durante entrevista à CNN, na manhã desta terça-feira.

O governador argumentou que 64 países do mundo estão usando a vacina e não houve registros de efeitos colaterais. "Nós, do Consórcio, vamos insistir sim até porque temos convicção de que 64 países do mundo não estão errados e mais de 20 milhões de pessoas estão usando a Sputnik. Vários técnicos indicam que é uma das melhores vacinas com o menor efeito colateral possível e não há casos de efeitos colaterais no mundo", afirmou o governador.

Anvisa nega pedido de importação da Sputnik

Por unanimidade, os cinco diretores da Anvisa rejeitaram, no dia 26 de março, a importação e o uso da vacina russa Sputnik V pelo Brasil. Primeiro a votar e seguido pelos colegas, o relator Alex Machado Campos apontou a "falta de documentação" e os possíveis riscos do imunizante à saúde.

Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), afirmou que a atribuição da agência é "proteger e promover a saúde da população" e que a agência "não pode agir ao arrepio de sua missão"

Ao defender a rejeição do pedido de importação do imunizante, Barra Torres disse que a Anvisa "nunca teve apego às questões burocráticas ou desrespeito para com a vida humana" e enfatizou, que, "sem a inspeção que avalia as boas práticas de fabricação dos insumos vacinais, é impossível atestar as reais condições de fabricação do produto".

Possíveis riscos

O gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, informou que a Sputnik V pode ser prejudicial à saúde humana. Isso porque a vacina usa um tipo de vírus que naturalmente se replica.

"Isso significa que o vírus que deve ser utilizado apenas para carregar material genético do coronavírus para as células humanas e, assim, promover a resposta imune, ele mesmo se replica, e isso é uma não conformidade grave", disse. "Primeiro grande problema é que este procedimento está em desacordo com o desenvolvimento de qualquer vacina de vetor viral", acrescentou.

Problema em documentação

Ana Carolina Marino, gerente-geral de Fiscalização, ressaltou em sua apresentação a ausência de relatórios de agências de outros países que comprovassem a segurança e eficácia da vacina. "Nós não tivemos sucesso na obtenção desses relatórios com as informações necessárias ", disse.

Até o momento da decisão da Anvisa, o painel da Anvisa mostrava que 15,48% da documentação necessária para a aprovação da vacina ainda não haviam sido entregues ao órgão. Os dados públicos da agência também informavam que outros 63,75% dos documentos estavam "pendentes de complementação".

Suzie Marie Gomes, gerente-geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária, citou que o desconhecimento de eventos adversos de curto, médio e longo prazos decorrentes do uso da vacina também prejudica a avaliação. "Eu chamo a atenção também para que a ausência de dados também é informação. A ausência de comprovação é considerada uma evidência, e uma evidência forte, sobretudo quando temos uma estimativa de população exposta ao risco que beira os 15 milhões de cidadãos", disse.

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