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'Saiu da soberba para a humildade', diz Omar Aziz sobre ministério da Saúde

Para Omar Aziz, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, "muda o discurso inicial do governo" em relação à aquisição de vacinas - Jefferson Rudy/Agência Senado
Para Omar Aziz, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, "muda o discurso inicial do governo" em relação à aquisição de vacinas Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Colaboração para o UOL

03/05/2021 20h21

O presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), disse hoje que percebeu uma mudança de pensamento do ministério da Saúde. Segundo o senador, em relação à aquisição de vacinas, falas do titular da pasta, Marcelo Queiroga, mostram que "saiu da soberba para a humildade".

"Primeiramente o governo federal dizia que o Brasil não aceitava condições, quem dava as condições éramos nós", disse, em entrevista à Globo News.

A mudança de postura, segundo o senador, se deu como "um dos efeitos da CPI" na última sexta-feira (30). Na ocasião, Queiroga falou em uma conferência de imprensa com a participação da cúpula da OMS (Organização Mundial de Saúde), em tom de "apelo", na visão de Omar Aziz.

"Saiu da soberba para a humildade, pedir à Organização Mundial de Saúde que doe vacinas para o Brasil, para imunizar os brasileiros. Há já uma grande mudança de pensamento, pelo menos do ministério da Saúde, pelo que temos visto do ministro Queiroga", afirmou.

O senador disse isso ao comentar o início dos trabalhos de investigação da Comissão, que irá ouvir os três ex-ministros e o atual chefe da Saúde nesta semana, para investigar ações e possíveis omissões do governo federal no combate à pandemia.

Amanhã começam os depoimentos na CPI, com as falas de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich - que saíram do governo no ano passado por discordarem de decisões do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O objetivo, segundo o presidente da Comissão, é entender se existiu e quais os detalhes do planejamento deixado por Mandetta quando deixou o cargo. Depois, entender se foi dado continuidade ao plano de ação.

"O ministro Teich vai nos dizer o que recebeu e por quê saiu. Passou muito pouco tempo. Foi por ele que começou as negociações para compra de vacina", explicou.

Pazuello será ouvido como ex-ministro e não general

Omar Aziz fez questão de deixar claro que, na quarta-feira (5), Eduardo Pazuello será ouvido na posição de ex-ministro e não como general do exército brasileiro. "O exército não tem que falar nada para a gente, o exército está fora disso", disse.

"Tem que deixar isso muito claro, para não confundir a função do ministro Pazuello no ministério da Saúde e o relevante papel que as Forças Armadas prestam ao pais", afirmou. Pazuello é um dos principais alvos da CPI e, para o senador, é preciso lembrar que "era uma decisão pessoal do ministro Pazuello em assumir aquele cargo".

Além dos que ocuparam cargos no ministério da Saúde, a Comissão vai ouvir o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, para saber o andamento de liberação de vacinas contra a covid-19. O presidente da CPI, Omar Aziz, também não descarta ouvir o ministro da Justiça, Anderson Torres, por conta de uma fala dele sobre a CPI.

"Se tiver o requerimento na minha mão, eu pauto amanhã para ouvi-lo. A posição dele tem que ser explicada", garantiu. Para o senador, ao invés de "se preocupar com nossas fronteiras" e o narcotráfico que está "matando" e "recrutando" jovens, Torres estaria buscando "criar uma Polícia Federal para investigar questões políticas".

"Isso aí a gente não pode admitir. Até porque a Polícia Federal é uma instituição. O ministro da Justiça passa, os governos passam, mas a Polícia Federal vai continuar existindo", finalizou,

Criada no Senado após determinação do Supremo, a comissão formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição) investigará ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.